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Comentários efectuados por Ana Duarte

  • Ana Duarte comentou a entrada "CONHECIMENTO DA VIDA DEPOIS DA MORTE AJUDOU-ME A ENCARAR A DEFICIÊNCIA" à 9 anos 7 meses atrás

    Caro Jorge,

    Sempre me decidi dizer umas palavras, espero que não muito maçadoras acerca do tema que lançou e que me aguça bastante a curiosidade, também, porque há muito tempo me questiono sobre muitas coisas, mas desde há poucos anos anos para cá, vivi momentos muito delicados na minha vida e quero acreditar que foi desde então que me comecei a concentrar no principal e a dar-lhe especial atenção, fruto da Fé e da crença em Deus. Foi Ele quem me segurou o rosto e me impediu de chorar mais uma lágrima que fosse aquando de um enorme desgosto (até estranhei). Se já antes não era indiferente à espiritualidade, desde então muito menos passei a ser e aumentei essa chama diante de outros factos que guardo no coração, mas que me fizeram compreender que as manifestações do Espírito Santo surpreendem-nos quando menos esperamos, não ocorrem porque nós queremos mas porque Ele acha que encontrou em nós um bom hospedeiro para se alojar e ficar à vontade connosco, para se manifestar da forma que melhor entender (uma forma diferente da outra). Como dizia Dom Carlos Azevedo Bispo de Lisboa, não nos devemos limitar a abrir a porta e deixá-lo ali para lhe voltar as costas dizendo "eu venho já!" ou desatar a desbobinar um churrilho de pedidos... antes devemos mandá-lo entrar e pôr-se à vontade, como bom anfitreão e deixá-lo falar ao que veio, tocar em assuntos que possam ser do seu agrado e deixar a conversa rolar. Ao seu ritmo a conversa fluirá para outros caminhos que também a nós inquietem, mas deixemo-lO falar e estejamos disponíveis para o ter em nossa casa (coração).
    É bom aproveitar a paz da noite antes de adormecer, para esperar esta visita e recebê-la como ela merece! De madrugada, se entender, pode bater à porta e surpreender-nos da forma que entender, se algo de importante tiver para nos dizer, provavelmente, se lhe mostrar-mos essa inquietação e lhe deixarmos o convite para aparecer ás horas que melhor entender por conveniente... (e nos deixasse recordar a sua visita pela manhã ao acordar). É o treino diário que educa o ouvido e o trato com o Espírito, tal como a música que gostamos ou não de ouvir... A meditação poderá ajudar.
    Faz bem escutar aquela vozinha lá bem no fundo que se antecipa à nossa própria voz e nos faz dizer: "é a Sua voz ou é a minha?" Há alturas que se geram dúvidas mas o melhor é parar de falar e escutar, simplesmente. Dar silêncio ao corpo e à alma e pedir ao Criador, ou ao Universo se entenderem, mas persistentemente num desejo sincero e convicto, de aumentar a sua própria Fé e colcoar-se à mercê daquele que dizem acreditar para se manifestar em si mesmo e lhes mostrar o que considere importante saberem para vossa própria felicidade e sobretudo para realizar a sua vontade! O que espera de cada um só sabe aquele que lhe pedir pistas, com humildade, mas nem sempre no momento que esperar tê-las. Depois de nos sentirmos tão próximos d'Ele não conseguimos ficar quietos, nem calados mas ainda assim, é preciso saber conter as palavras porque "os segredos não se contam".
    Em Deus, Jesus e até no Demónio acredito e devo dizer que também nos vê e ouve mentalmente e nos tenta como se pretendesse ganhar mais um jogador para a sua equipe, em deterimento do esforço do adversário, mas como eu venho dizendo, "comigo, laranja... só em sumo" e mais não digo.
    Conheço alguém que vê anjos e fadas desde os seis anos de idade e até unicórnios, mas nunca a questionei sobre isso, mas fala com eles e eles guiam-na. Em todo o caso quando lhe falaram em mim, antes de me conhecer, ela pensou que eu era morena e de cabelo encaraculado, mas errou. Provavelmente porque em alguma outra encarnação teria sido como ela imaginava? Se calhar, nunca a questionei sobre isso. Facto é que passei a acreditar que muita coisa é possível, apesar dos olhos do comum dos mortais não ver, ao passo que outros podem ter visões óníricas, sem perceber como e porque deixam de a ter.
    Cabe a cada um esforçar-se por procurar as respostas às suas perguntas, pois creio que é disso que no Alto estão à espera (que não sejamos passivos) para nos surpreender. Só assim compreenderemos o nosso lugar neste mundo, os segredos do advir e a missão a que viemos assumir em prol de que metas, mas a aceitar com total convicção, o que é menos fácil...
    Se fui ajudada superiormente, sem dúvida que fui e estarei eternamente grata por todas as bençãos recebidas, desde a cura do meu cancro e da maleita da minha mãe que a deixou parecia moribunda. São Pedro e Santo António também me escutaram todas as vezes. Por outro lado, também o Dr. Sousa Martins se tornou um amigo incrível, mas sou uma ingrata para o meu Anjo da Guarda, pois raramente me lembro de lhe falar, sequer agradecer a sua protecção e companhia...
    Em suma, com o meu testemunho apenas pretendo mostrar que a Fé realmente é capaz de mover montanhas quando se ousa desejá-lo, mas deve ser espontânea, humilde e desinteressada, como aliás a relação com os nossos semelhantes e antes de sermos exigentes com o Alto devemos ser mais exigentes connosco para que nos levem a sério e não nos vejam como crianças caprichosas a pedinchar tudo o que querem! É preciso conquistar a confiança do Alto e dar-lhe espaço para se instalar como deve ser e fazer ecoar a sua voz no nosso espírito. Experimentem pedir que Deus derrame sobre vós a sua benção e a sua imensa luz e usufruam da paz desse encontro.
    Tenho imensa curiosidade por perceber o que há para lá da morte, mas sei que depois da morte só cá anda quem tem algum assunto por resolver, segundo ouvi dizer e mesmo depois disso persistem incógnitas. O conhecimento que se tem acaba decorrendo maioritariamente de filmes, de gente com capacidades extrasensoriais que alguém conhece em dado momento ou lugar.
    Peço desculpa pelo alongar do discurso, mas é um tema que dá realmente pano para mangas e não deve deixar ninguém indiferente, acredito... Todos terão algum contributo a dar.

  • Ana Duarte comentou a entrada "Namoro entre cegos e entre um cego e um normovisual: Quais as diferenças?" à 9 anos 7 meses atrás

    Sem entrar em detalhes, achei importante dizer que subscrevo suas palavras, pois também eu nunca havia imaginado algum dia envolver-me com um cego e depois de nos conhecermos como qualquer pessoa se conhece, de um modo ou de outro, entre piadas e jestos e encontros cada vez mais frequentes, em que melhor nos íamos conhecendo, as coisas evoluíram sem darmos conta e sem nos apercebermos, ficando enredados numa teia de atracção e encanto um pelo outro (ambos interessantes a vários níveis mas bem diferentes em personalidade).
    Os avanços e recuos da relação ocorreram como em tantas outras relações ocorrem, mas nunca derivados de um ver e o outro não! Portanto, também o apoio nesta ideia de que não se pode padronizar nada e quem o faz erra....

  • Ana Duarte comentou a entrada "Namoro entre cegos e entre um cego e um normovisual: Quais as diferenças?" à 9 anos 7 meses atrás

    Quem disse que era fácil conviver com gente diferente de nós mesmos? Francamente, do meu ponto de vista, o ideal nem era tentar dar a mão a quem conhece mas a quem desconhece, ainda... Esses seus colegas demonstraram aquilo que são, pessoas sem a menor sensibilidade e capacidade para se confiar neles, logo pouco dignos da sua amizade, sequer. Portanto, passo a recordar uma frase que combata esse triste pensamento que não lhe sai da memória, por enquanto até insistir nisso: "O que vem de baixo não me atinge, nem eu deixe que suba". É um facto que não somos feitos de pedra, portanto há coisas que não nos são totalmente indiferentes, antes fossem, mas esta postura a adoptar tem de se tornar um hábito, a fim de impedir a crença estupida e até infundada, de que essas criaturas são superiores, quando é o oposto. Tanto assim é, que vocês conseguem dar a volta por cima e não lhes ter ódio, nem agir de modo vingativo, correcto? Então, tem de passar a dar menos cartão a essas situações e pensar que forma importantes na sua vida para a tornar uma pessoa mais forte e bonita por dentro, mas acima de tudo, pronta para novos desafios e marcar o seu lugar na história! A sua vinda a este mundo não pode ser em vão, nenhuma vida é em vão!
    Mesmo sem marcar encontros com amigos normovisuais, pode encontar-se com amigos cegos, até mesmo das lista onde está inscrita e fazer algo divertido, com a maior normalidade do mundo e não passar despercebida, é um facto, pelo simples facto de haver sempre um olhar curioso algures, mas em bom português... "cague nisso". Divirta-se com cabeça, conheça novos amigos cegos que sejam e através deles até pode vir a conhecer outros normovisuais que valham bem mais a pena e estejam disponíveis para acolher a sua amizade e, quem sabe, a seu tempo, algo mais!
    Está nas vossas mãos agitar estas águas e pescar algo melhor para a grande festa, depois... (ânimo)
    Beijinhos.

  • Ana Duarte comentou a entrada "Namoro entre cegos e entre um cego e um normovisual: Quais as diferenças?" à 9 anos 7 meses atrás

    Em resposta a um comentário da Sofia Santos (30-10-2009) e após ter lido alguns outros comentários, não posso deixar de tecer um comentário, provavelmente algo alongado, a reforçar o que venho dizendo desde há algum tempo, aqui e ali, na expectativa da desejada mudança de mentalidade, para o que seria quase necessária uma espécie de inversão de factores, do tipo, haver uma minoria de normovisuais no mundo, o que efectivamente não sucede. Mas não vamos tão longe!
    Imaginem um qualquer evento social, por exemplo, não direccionado a cegos, mas onde estes se encontrassem em franca maioria, num daqueles convívios tão salutares... acreditem que os normovisuais presentes nesse mesmo encontro iriam reparar em vocês, é um facto, como reparam em qualquer normovisual que passa a seu lado na rua, mas nesse contexto em particular, iriam ter oportunidade de captar informações úteis para melhor vos conhecerem, quanto à vossa personalidade, ao modo de estar, ser e agir, etc. Mais cedo ou mais tarde iriam captar a vossa simpatia e iam acabar por se render às evidências do encanto da vossa diferença, como eu mesmo vi normovisuais em minoria render-se em vagãos de comboio, por exemplo, diante de uma bela tripulação de cegos e seus cães-guia que se dirigiam para aquele arraial habitual em Mortágua. Senti-me muito feliz por perceber que estava a decorrer ali uma aprendizagem, entre crianças e adultos, ou a farsa era muito grande! Acreditei que aquelas pessoas teriam ficado marcadas para sempre com excelentes registos de gente fantástica, súper divertida e brincalhona (cega), educada e capaz de se "desimerdar" sozinha (vamos dizer assim) com as suas bagagens e seus guias, ou até bengalas. Em outro vagão onde menos cegos seguiam, pude reparar em alguns olhares inicialmente constrangidos, talvez, mas que logo se deixaram "converter" e me passavam olhares de autêntica cumplicidade, que tão me faziam sentir... sintonizamos no ar o valor do encontro entre o mais e o menos comum como algo importante para desfazer maus entendidos, ou quaisquer imagens menos boas que cada um possa construir no seu imaginário e que impedem, por ventura, de se dar a conhecer e ter interesse em conhecer o outro e, posteriormente, com ele se relacionar de modo mais próximo.
    Concretizando e exemplificando, se no súper mercado, no restaurante ou no café, no centro comercial, na discoteca, ou no cinema, ou em algum espectáculo musical, teatral, ou outro, se encontrar um número mais considerável de cegos, cruzando o caminho dos dos normovisuais, estou certa que deixariam de vos olhar de modo diferente com a tal pena e até vergonha, como alguém falou, mas com uma expressão do tipo "já conheço estes tipos e sei que são uns gajos porreiros. Sei do que são capazes de fazer, não há nada de novo neles, são como eu, por isso, não vou dar-me ao trabalho de perder tempo a contempla-los... para criticar o quê, depois?" Não sei se vos fiz passar bem a imagem, mas a essencia parece-me ser esta. Basicamente, ao deixar de ser o cego a minoria (ainda que continue sendo, ok, mas não de modo isolado), já não estaria tão escondido na sombra e menos exposto, as sensações do "desconhecido" no normovisual mudariam, favorecendo a natural mudança de mentalidade e de comportamento, posteriormente, para com os cegos em geral, quero acreditar! Naturalmente, que tal como eu mesma tive de aprender muitas coisas sobre vocês, há muita coisa que vocês têm a ensinar aos normovisuais de um modo geral e isso só é possívek em contexto real, dado que ninguém se vai inscrever em cursos de formação para o descobrir, a menso que seja familiar próximo de algum cego, imagino.
    Ora, se o convívio com A, B e C não é capaz de promover comentários e interferir com mentalidades e gerar mudanças na sociedade, só importa gizar actitudes/ projectos arrojados para a promover...
    O Aparthaide não ocorreu a partir de mentalidades inconformadas que desejaram lutar por um ideal que achavam justo conquistar? Foi suado, teve o seu mérito e por certo não gerou arrependimento em ninguém nos dias que correm! Não é para comparar, mas a essência dá para ver qual é.... Vale a pena o esforço e o desejo de tentar fazer algo para mudar o rumo das coisas na sociedade quando se percebe que as coisas podiam ter um rumo melhor se os próprios cegos se "impusessem" à sociedade normovisual. A melhor sensibilização, acreditem, é passível de surgir do "confronto massivo" para deixar marcas profundas em quem cruza o vosso caminho. além de melhor conseguir transmitir o vosso lado mais preservado quando vão sozinhos pela rua, mas bastante atraente para quem vos conhece no convívio diário, favorece um melhor conhecimento sobre a vossa personalidade nada coitadinha e ainda terão a chance de deixar que se encantem por alguns de vós e com o passar do tempo e a possibilidade de se relacionarem mais frequentemente com alguns normovisuais, quem sabe o romance não venha a pairar no ar... tudo vai do dar-se a conhecer, lembrem-se disso!
    Promovam encontros/ actividades conjuntas aqui e ali (meros encontros banais de amigos com o propósito de marcar presença), de modo a contribuir para que vos conheçam melhor no dia-a-dia e vos saibam valorizar como deve ser. Não pelo A, pelo B ou pelo C, mas pelo conjunto dos cidadãos cegos, sobretudo daqueles que não saem de casa por se sentirem manietados pela falta de confiança neles, por parte de seus familiares tolhidos por vergonhas, medos e sei lá o que mais...
    O Lerparaver é realmente uma porta aberta para uma interajuda fantástica na troca de impressões entre todos e para quem mais necessita de apoio moral conquistá-lo e não abrir mão dele! Não deixem de se apoiar mutuamente e aproveitem esta e outras janelas para gizar pequenos projectos, aparentemente banais, mas que se traduzirão em oportunidades para transmitir mensagens importantes em público, que vão além das actividades divertidas que se levam a cabo no Arraial de Mortágua! Dancem em grupo, como se ninguém estivesse a olhar, beijem, fumem mas não se droguem (faz mal lol), riam bastante das piadas que vos ocorrem na hora certa, com aquele humor que tantos de vós têm e divirtam-se, experimentando roupas e calçado e nem que cheguem ao fim a dizer que não gostam de nada para comprar, por este ou aquele motivo (sem mostrar arrogância ou indelicadeza, claro, para não passar ideias erradas!). Em suma, ocupem mais espaço em cada espaço da cidade onde moram (não nos mesmos sítios) e deixem que outros humildes desconhecidos vos conheçam, também, nem que seja de vista e sintam orgulho um dia, em se aperceber que foram capazes de mudar de mentalidade, a partir de algo que puderam observar no vosso comportamento ou atitude, por vocês se terem cruzado no seu caminho, até na paragem do autocarro e se deram ao luxo de meter conversa com alguém para mostrar o vosso lado simpático, mesmo no taxi ou seja lá onde for! Não entendam estas palavras como uma espécie de ida ao Zoo para ver os diferentes animaiszinhos, pois nada se assemelha a isso. Procurei transmitir-vos impressões que recolhi com os meus olhos e que após ter feito uma sessão de apresentação numa turma de formação, evocando o tema em causa, percebi as inúmeras dúvidas e desconhecimento de tanta coisa e vi o olhar de um certo espanto e simultânea valorização sobre o cego, depois e eu explicar uma série de coisas e mostar imagens ilucidativas de tantas outras coisas. Portanto, acredito que aquilo que vos disse rezume aquilo que me parece importante fazer, para dar um contributo a essa tão desejada mudança de mentalidades e possibilitar uma melhor compreensão e relação entre todos como iguais!
    Boa sorte e no que puder ajudar, podem contar comigo...

  • Ana Duarte comentou a entrada "Namoro entre cegos e entre um cego e um normovisual: Quais as diferenças?" à 9 anos 7 meses atrás

    Estou certa de que muita gente partilhará desse seu desabafo em forma de dicertação. Do meu ponto de vista, apenas veio promover mais um bom momento introspectivo, necessário para cada um procurar fazer o que possa estar ao seu alcance para vislumbrar e usufruir de alguma daquela luz da que mais falta faz para que o mundo não seja tão duro para alguns...
    Felizmente, também na minha vida há bons exemplares desse "artigo", que tão bem a temperam!
    Coragem todos temos, uns mais do que outros, mas a esperança, essa nunca pode morrer, nem se pode deixar que adormeça! Então, que essa coragem se transforme numa chama libertadora para afastar desânimos e pensamentos derrotistas. Quem nasce com algum "Q" de especial tem uma relíquia em si mesmo que só tem de saber valorizar e não deixar que lhe deitem areia para os olhos!Abraços,
    Ana

  • Ana Duarte comentou a entrada "Namoro entre cegos e entre um cego e um normovisual: Quais as diferenças?" à 9 anos 7 meses atrás

    LDias,

    Gostei muito do seu comentário, para variar e só posso sorrir de contentamento pela sua felicidade com essa alma gémea que Deus lhe enviou, mas também por me fazer recordar um comentário significativo que há pouco tempo atrás ouvi de alguém que diz conhecer muita gente com características muito especiais, incluindo os "Indigo" e diz nunca ter conhecido ninguém com o brilho do meu olhar, nem com um coração igual ao meu e a única coisa que lhe ocorria dizer-me em dado momento foi "não sei como defenir-te mas só te posso comparar a um anjo na terra". A minha alma foi tomada de assalto por uma nova amiga, esta com um dote extra sensorial e nem um sorriso consegui esboçar, mas facto é que me senti muito grata depois de digerir aquela palavra, com profunda humildade, do mesmo modo que acolho as suas palavras agora, extremamente compensadoras...
    Acredite que se ao longo da minha vida sempre assim fui, embora menos "atirada" não será doravante que irei mudar, depois das bençãos que recebi do Pai do Céu. Sempre me inquietei demasiado com os problemas do mundo e muita coisa me abalava a sensibilidade impelindo-me a agir mas sem saber como. Hoje que sei como o fazer, em parte através da escrita, corro o risco de ser mal interpretada o que me dá pena. Mas não é por falta de compeensão da minoria que deixarei de ser como sou. Isso ainda me dará mais força para prosseguir este caminho, sem esquecer o ideal que tenho como destino, à semelhança daqueles que ainda nos dias de hoje se lançam ao caminho, com o intuito de evangelizar as doutrinas das suas Igrejas, apesar de toda e qualquer contrariedade que possam encontrar no seu caminho.
    Como diz e bem, o mundo podia ser muito melhor, se não fossem apenas estas "pessoas simples" ou mais especiais a voltar o seu olhar piedoso para as situações que o merecem, ou a dar uma beliscadura sem acanhamento em momento oportuno, quando tal se impõe, sem se deixar corromper! Independentemente do ideal que cada um possa ter, devia haver um denominador comum em todos nós, que marcaria toda a diferença, bastando que cada um tivesse a sensibilidade mínima necessária para não meter o pé na argola nas alturas menos próprias, vamos dizer assim...
    Lá dizia Saint Exupery: "És eternamente responsável por aquilo que cativas", que é como quem diz, por aquilo que fazes de bem ou de mal a ti próprio e aos demais! Infelizmente a satisfação do ego e o orgulho falam mais alto nas várias camadas da sociedade, impedindo o Ser humano de vislumbrar o que sem esforço é possível ver quando se é dado a sentir/ver com os olhos da alma... e aí se chega à essencia da felicidade!
    Na minha humilde opinião, faz muita falta a muita gente alguns instantes de reflexão sobre aquilo que lê, aquilo que ouve e até aquilo que possa ver, pois a introspecção é um nutriente importantíssimo para a alma, precisamente, até porque ajuda imenso a polir as suas arestas! (sorriso rasgado)
    Com o contributo daqueles um pouco mais sensíveis do que os demais ainda se cria um viveiro para evitar a extinção da espécie e quem sabe, com jeitinho, ainda se propague um bocadinho!!! rsrs
    Que eu possa contribuir, de algum modo, para carregar o alforge de quem cruza o meu caminho no dia-a-dia, seja em que lugar for e seja eu capaz de aprender até morrer, o que me falta descobrir e não darei por perdida a minha vinda a este mundo!

    Um abraço,
    Ana

  • Ana Duarte comentou a entrada "Namoro entre cegos e entre um cego e um normovisual: Quais as diferenças?" à 9 anos 7 meses atrás

    Caríssima,
    Gostei imenso de ler as suas mensagens, senti muita empatia consigo e usando uma linguagem algo figurada, ouso dizer que me parece ser uma pessoa que erradia uma imensa luz interior que dá vontade de conhecer melhor e continuar a ouvir falar, depois de começar! (sorriso rasgado)
    Digamos que poucas vezes me foram pedidas descrições, mas de um modo geral, mesmo com outros amigos cegos eu gosto de me antecipar, como se me sentisse impelida a fazê-lo, para bem lidar com a minha consciência e sentir o coração em paz. Se posso preencher o potencial vacuo da "caixa negra" de algum cego qualquer que ele seja, com ferramentas úteis às suas projecções mentais, faço-o de bom grado e por achar que o devo fazer, simplesmente! Porquê privar alguém de ver aquilo que me agrada à vista, se não lhe transmitir o que vejo e a forma como me enternece? Como isto... tudo o resto! Sinto-me tão grata pela forma como compreende o que digo ou penso, pela sua experiência e embora sinta pena de não ter chegado a usufruir em pleno dessa harmonia tão boa que qualquer casal busca numa relação, reconheço não se ter tratado da tampa da minha panela e isso diz tudo.
    Felicito-a por ter uma relação tão querida e harmonioso que dá gosto testemunhar, mesmo estando de fora e desejo-lhe continuação das maiores felicidades!!
    Ana

  • Ana Duarte comentou a entrada "Namoro entre cegos e entre um cego e um normovisual: Quais as diferenças?" à 9 anos 7 meses atrás

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  • Ana Duarte comentou a entrada "Namoro entre cegos e entre um cego e um normovisual: Quais as diferenças?" à 9 anos 7 meses atrás

    Sérgio e Sofia,
    Subscrevo integralmente tudo quanto foi dito pela Sofia e mais não digo!
    Sérgio, sobre o que referes, tomo a liberdade de dizer do meu ponto de vista, que a importância que se atribui a uma dada situação é que pode condicionar imenso o que dali possa sair e atrapalhar...
    Enquanto normovisual vivi uma experiência com um cego recente (já o conheci como tal) e guardo essa "aventura" com gratidão e ternura no coração! Se não resultou foi porque andámos em timings algo desfazados e no "ponto óptimo" ele optou por levantar voo... Sofri como bem podes imaginar, mas o que importa extrair daqui é que aprendi muito com esta relação, a vários níveis, conheci-me melhor, mas também percebi que tinha o apoio incondicional da minha família e dos meus amigos que, inicialmente, se surpreenderam com o facto mas logo disseram que não duvidavam que alguém do género pudesse ser a pessoa certa para mim, sabendo o quanto eu sou uma pessoa altamente sensível e solidária e com facilidade em deixar-me cativar por quem mereça conhecer o meu lado mais especial.
    Ao falares em desleixo só me ocorre pensar, neste momento, num desleixo que tive nessa relação, sempre que agia como se ele não fosse cego, o que sucedia muitas vezes, na medida em que eu procurava vê-lo da mesma forma que supostamente ele me devia ter visto... com os olhos da alma! Podia desleixar-me ao apontar para uma cor e dizer que gostava daquela cor, sem que ele a visse e pudesse saber qual era, até eu corrigir a minha gafe, ou desleixava-me algumas vezes (no início) quando não descrevia o tipo de pergio de que devia ter em atenção em dado sítio, eventualmente para não apanhar com um arbusto no rosto. Porém, não o deixava aos papeis como se costuma dizer, se a isso te referes, quando acompanhada de mais gente, antes pelo contrário, certificava-me de que se enquadrava e se sentisse logo integrado Também era o primeiro a ser servido, na minha companhia e não esquecia de deitar um olhar para me certificar de tudo estaria em ordem ou precisaria de alguma ajuda discreta, naturalmente... Descrevia o mais que podia as imagens e situações que visse em filmes ou de passagem em algum lugar, para não lhe faltarem registos a considerar na percepção que tinha das coisas e dos filmes. Se no hall de entrada do meu prédio o percebia desorientado, antes de apanhar o elevador para vir ao meu encontro, eu mesma já me antecipava no caminho do seu encontro e enquanto não chegava dava imediatamente conta da minha presença através da voz, para evitar o prolongar de quaisquer sensações de desorientação e vazio pontual que a mim, pessoalmente, incomodavam na sensibilidade da alma...
    Em suma, como a Sara dizia e muitíssimo bem em TUDO, destaco novamente que a regra nas relações entre normovisuais e cegos é o Amor incondiconal, a aceitação e entendimento recíprocos, a confiança e o respeito mútuos e o diálogo constante para não gerar fossos e maus entendidos, mas deixar margem de manobra para que ambos possam saber como corresponder, tanto quanto o possível, às expectativas um do outro. É indispensável a compreensão!
    Teoricamente, ninguém se apaixona por ninguém por telecomando e como tal, não deve olhar ao facto de ter alguma deficiência seja ela física, motora ou emocional. Na prática, do meu ponto de vista, sucede o aumento da tendência talvez do subconsciente estar de tal ordem programado para se deixar atrair e reagir em favor de quem lhe seja mais "igual" do que com o que lhe seja diferente, daí cegos com cegos (por melhor se compreenderem) e normovisuais com normovisuais. Felizmente que nem sempre é assim, como demosntram aqueles casos como o da Sara, em que o amor fala mais alto e não se limita por condicionalismo algum, mas reforça ainda mais a relação! Pode haver casos, em que o útil se junta ao agradável, numa relação em que tudo se torna mais fácil de gerir com um normovisual por perto... ajudando na indecisão de se apaixonar por um parceiro cego ou antes um normovisual, se o esquema mental for chamado a dar a sua opinião. No entanto, segundo pude perceber a parti de alguns registos aqui e ali, que inclusivamente li algures, uma relação desse tipo pode condenar, em certa medida, o cego a uma insegurança maior (aí vejo a desvantagem) quanto aos aspectos que não vê e não percebe, logo não domina, na reacção do seu parceiro, que inadvertidamente possa esconder através da voz, para se defender ou o proteger, ou não o incomodar, etc... Quanto a casais eventualmente ciumentos, só posso imaginar que a falta de visão possa ser um calvário para quem não confie no seu parceiro, mas uma benção para quem nele confia inteiramente. No fundo, acho que a cabeça de cada um é o seu principal inimigo, isso sim!!!
    Em virtude do envolvimento com uma pessoa cega eu pude conhecer em maior profundidade as minhas qualidades e os meu defeitos, apreciei melhor o alcance das minhas emoções e reacções, descobri e valorizei muito mais a minha pessoa e a minha relação com os demais. Por seu intermédio aprendi a conhecer-vos melhor, bem como as belíssimas qualidades dos cães-guia, valorizando imenso o potencial e a coragem de ambos no que define a especificidade do seu Ser em acção e, para terminar, apenas posso acrescentar que me agrada bastante o conforto que sinto na vossa companhia. Isso não chega? Não pensem demais...
    Um abraço e sejam felizes, sempre um bocado em cada dia,
    Ana

  • Ana Duarte comentou a entrada "PROBLEMAS NAS RELAÇÕES FAMILIARES OU NO NAMORO, QUE ENVOLVAM A DEFICIÊNCIA VISUAL" à 9 anos 7 meses atrás

    Há muito tempo não tenho vindo cá, tive umas baixas muitíssimo importantes para mim, nestes dois meses e um dos meus melhores amigos anda desaparecido... pelo que não estou no meu melhor astral, mas só hoje vim ver este correio e não podia deixar de passar um abraço à Isabel e desejar, de coração, que a esta altura do campionato, já tenha tido boas melhorias na sua vida, como os demais amigos que enfrentam os maiores obstáculos. Fraquezas, dúvidas e inseguranças todos as temos e é normal pensar em mandar tudo para o alto. Conheço muito bem essa sensação, também, mas a voz da consciência fala mais alto e temos de ver nela a nossa melhor amiga, aquela que também nos conduz à calma necessária! Não desanimem...
    Sinceramente, era tão bom que houvesse algum encontro entre familiares de cegos com experiências diferentes, de modo a apoiarem-se mutuamente e conseguirem conferir força aos cegos que dela precisassem e não encontro apoio dentro da sua própria família! Se algo se faz nesse sentido, certifiquem-se de que os vossos familiares participam ou lhes cgea informação útil às mãos, a fim de procurar eliminar mais um pouco dessa triste discriminação.
    Quanto a ti, Sérgio, queria muito receber um e-mail teu com as novidades, a ver se percebo o que se anda a passar lá pelo emprego. Vamos pôr a conversa em dia, sim? (sorriso rasgado)
    Beijinhos,
    Ana

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