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Últimos comentários

  • ldias comentou a entrada "Namoro entre cegos e entre um cego e um normovisual: Quais as diferenças?" à 16 anos 3 meses atrás

    Olá Ana

    Percebi que te referias a mim, e como compreendo o que dizes....

    Se, como sente o Sérgio, os deficientes visuais se podem sentir desconfortáveis em relações de desigualdade visual, também não será fácil para os normovisuais gerirem uma relação deste tipo.

    Eu por mim falo, tenho por opinião que as pessoas com deficiência visual, pelos mais variados motivos, por vezes carecem de uma atenção especial. Uns mais que outros, por motivos físicos ou psicológicos, sociais ou de personalidade, etc. Claro que isto se aplica a todas as pessoas, com qualquer tipo de problema, mas especificamente falando dos deficientes visuais, poderá ser mais evidente.

    Eu não sou muito exigente no que toca á descrição de um lugar, objecto ou circunstância. Uso das minhas próprias capacidades de apreensão da realidade para elaborar uma idéia mental da situação em causa, pedindo apenas alguns dados chave para dalí obter alguns pontos de referência. No entanto, conheço algumas pessoas que, exaustivamente, solicitam atenção, descrições detalhadas, ajudas permanentes, apoios constantes.

    Ora, se a pessoa cega não deseja ser dependente do outro não deverá apoiar-se apenas nas capacidades do parceiro mas contar também com as suas próprias; se não deseja ser um peso não deverá subcarregar o parceiro pois ele também tem os seus limites; se não deseja transformar-se num fardo, deverá perceber quando o limite de ambos se aproxima.

    Somos todos humanos e isso diz tudo. Todos temos qualidades e defeitos. Ocorre que nem sempre respeitamos os defeitos e preservamos as qualidades. Ou seja, se o parceiro é distraído, acusa-mo-lo de desleixo, se é prestável, abusamos dos seus préstimos. Numa relação em que um tem deficiência visual e o outro não, isto pode culminar em saturação. Claro que nem sempre agimos de forma consciente, aliás, penso que tudo flui sem que ambos se apercebam imediatamente. Quando a relação dá sinais de instabilidade, já mal se sabe o que a provocou.

    Ana, sei o que sentes quandodescreves o modo como agias para com esse ex-parceiro, o meu marido também faz o possível para corresponder aos meus anseios. No princípio, por não nos conhecer-mos tão bem, era mais difícil prever as necessidades do outro. Agora, depois de muito passar, não é preciso dizer, agimos em sintonia mental e corporal. Sei exactamente quando ele me vai dar um beijo, quando me indica um degrau, ou quando me olha com admiração ou reprovação; ele sabe quando estou perdida no espaço, quando fico insegura num ambiente social, ou quando lhe transmito um sinal. Comunicamos por vibração corporal, olhares e palavras.

    Claro que, como refere o Sérgio, por vezes tropessamos um no outro. Somos seres imperfeitos. Por desconhecimento, distracção, cansaço, ou qualquer outro estado de espírito, cometemos falhas involuntárias que podem causar danos físicos ou morais. Mas não é assim com todos os seres vivos?
    Há que saber compreender as circunstâncias em que tais danos ocorrem. As falhas involuntárias não carecem de perdão pois não foram conscientes. Carecem sim de compreensão de ambas as partes. Em conjunto, em diálogo, o casal deverá perceber os pontos sensíveis que carecem de polimento. Nada melhor que uma boa conversa para partilhar gostos e desgostos....

    Claro que nem sempre se chega ao entendimento pleno. Tal como já disse antes, a vida é cheia de encontros e desencontros. Se não conseguimos ultrapassar certas dificuldades é porque somos seres humanos. Dotados de muitas capacidades mas também muitas incapacidades. Insistir em manter algo que , por qualquer motivo, não podemos suportar, é condenar tudo ao insucesso.

    Sofia, agora para ti também, quando fiquei cega não deixei de ser abordada por indivíduos normovisuais. Se senti que alguns não tinham a mínima disponibilidade para lidar com relações diferentes, senti que outros estariam dispostos a um envolvimento emocional. Claro que, sendo comprometida, não dei oportunidade a qualquer outro envolvimento. Tenho, ainda assim, a convicção que o facto de ser cega não teria sido impedimento a um envolvimento emocional.

    Não me agrada pensar que é discriminação o desprezo amoroso de normovisuais para com deficientes visuais. Prefiro pensar que a capacidade de amar, esta ou aquela pessoa, depende do grau de compatibilidade que estas possuem entre si. Tal como tenho vindo defendendo, não somos perfeitos, não podemos obrigar alguém a ter capacidade de compreender, aceitar e saber lidar com realidades diferentes da sua. Se a sintonia, a compatibilidade, a harmonia acontece, por diferentes que sejam, as pessoas encontram o equilíbrio de que precisam para viver. Se, pelo contrário, não adianta, mais vale não magoar nem ser magoado.

    Estou a falar de questões abstractas mas que considero pertinentes ao tema que a sofia apresentou. Claro que na prática, e talvez seja essa a sua maior curiosidade, muito poderia contar. Poderia responder a questões concretas, mas confesso que tenho uma atitude de normalidade na minha relação. Ou seja, tento desvalorizar a presença da minha cegueira, dando-lhe importância apenas quando ela é realmente um problema. O meu marido esquece que eu não vejo e lida comigo naturalmente. Eu percebo quando ele age em conformidade, ou quando se acomoda à minha condição para tomar partido ou ter vantagens sobre mim, (facto que me parece nunca ter ocorrido).

    Volto a frisar, a auto-confiança, o respeito mútuo e alguma humildade...

    E já agora, não ter vergonha de ser como se é, mas orgulho de conseguir ser como se é.

    LDias

  • Luís Medina comentou a entrada "Mensagem para Luís Medina" à 16 anos 3 meses atrás

    Eis que o Luís Medina terá de buscar, em seu armário, camisa e calças mais largas. Sim, mais largas para acomodar o ego que, depois de tão intenso, tão significativo elogio, ficou inflado como um balão! Mas peço-lhe que mo permita, afinal, tal não sucede todos os dias! E além disso, é prática do bem viver acarinhar-se com as pequenas conquistas. Tenho conhecido gente que, à espera da grande, da imensurável, da inimaginável conquista, tem repudiado as pequenas. Concentram todo o sentido da vida em poucos e grandes eventos como se tivéssemos todos de ser medalhistas olímpicos. E ao fim, somos falíveis e agir como se não o fôssemos é caminho seguro para a tristeza e para a intolerância consigo próprio. Mas tenho eu cá minha pequena conquista, fiz-me ouvir e, na briga com as palavras, fui vitorioso.
    Fez-me lembrar os tempos de criança. Sonhava ser escritor. Queria ler todos os livros, mas ainda não conhecia o Braille. Compraram-me uma lupa eletrônica e pude ler alguma coisa. No entanto, a visão era muito reduzida, o grau de ampliação, muito elevado, os olhos cansavam-se facilmente. E eu insistia... Insistia... Tinha de parar quando os olhos lacrimejavam. A carreira de escritor parecia ter fim, afinal, a gente crescida dizia que para escrever bem, era preciso ler muito e, mesmo com todo o empenho, jamais conseguia ler um livro inteiro. Então, fiquei a imaginar que tinha de ler livros que propiciassem a maior quantidade de conhecimento na menor quantidade de centímetros quadrados. Para meu desespero, isto não incluía Machado de Assis, Clarice Lispector, Somerset Maughan, André Gide, Ítalo Calvino... Romances eram coisa fora de questão. Cheguei à conclusão que havia duas leituras possíveis: enciclopédias e dicionários. Sorteava qualquer página de qualquer dos nove volumes da Enciclopédia do Estudante, era este o nome, e então, lia fragmentos: ora sobre um satélite de Júpiter, ora, sobre a história do cultivo da aveia, ora sobre o Reino da Suazilândia. Mas a visão reduziu-se mais e o cansaço aumentou. Tinha um dicionário de letras grandes, em três volumes, que poderia permitir-me leituras realmente muito curtas. E ficava a passear por suas páginas: isagoge, opróbrio, haríolo, esternutação, discromatopsia, bromeliáceo, dendroclasta, escularápio, almenara... Infelizmente, não tinha acesso ao conhecimento. Eram fragmentos, meros fragmentos que posicionados em seu contexto, tinham algum significado. Enquanto os olhos se apagavam, era esta a minha forma de resistir. Na escola, não tinha boas notas de redação. É que o conhecimento e, principalmente, a maturidade não se adquirem por meio de vocabulário rebuscado. Por fim, chegou o dia de doar a lupa eletrônica. A ampliação máxima era somente uma mancha. E o Braille? Não me ocorria aprendê-lo. Isto era para as pessoas cegas. As enciclopédias e os dicionários não me tinham ensinado verdadeiramente o que eu era. Tinha muito medo do estigma e, por isso, procurava ver-me de outro modo. Passei a buscar os documentários e as reportagens de televisão. O conhecimento tinha de ser falado. Mas não podia anotá-lo, afinal, não sabia Braille... A visão ia mal, mas a mente ia ainda pior. Não aceitar-se cego, impedia-me encontrar a senda do progresso. Conheci os livros em cassetes e, afinal, o mundo dos cegos não me parecia tão hostil. A seguir, vieram os leitores de tela e voltei a ter a “caneta” entre os dedos. Com o computador podia anotar, período conveniente, porque se avizinhava o exame vestibular. As tecnologias aperfeiçoaram-se e, maravilhado, assisti à chegada da Internet. Então, um amigo, disse-me que devia visitar o Balcão da Biblioteca, seção da página do Ler para Ver. Encontrei mais livros do que jamais tinha visto. Antes de o ler, baixei-os febrilmente. A alegria era tanta que tinha receio de perdê-los. Li como se fosse a última coisa do mundo. Não tinha qualquer vida social e, por isso, a tarefa foi simples. Fechava-me ao quarto e, porque não trabalhava, podia ficar o dia e a noite a ler. Comecei a viver a vida das personagens. Queria ser algumas delas, sentir-me importante em alguma coisa. Fui os heróis e fui os vilões, mas sobretudo, fui as pessoas comuns que habitavam os livros. E estas disseram-me tanto que a vida das personagens foi-se transferindo para minha própria vida. Ao fim, descobri que podia incorporar comportamentos, reproduzir frases não vividas, mas que, por força de interiorizá-las, acabei realmente por vivê-las. Fui forjado pelos livros. A princípio, o artificialismo, depois a exploração, a experimentação, a afirmação, a segurança e a ESSÊNCIA. Sinto-me orgulhoso em observar que o meu plano estruturado de mudança pessoal funcionou e quando as pessoas realmente se dispõem à mudança, ela ocorre ainda que o tempo possa nos impacientar um bocado.
    No espaço de sete anos, li mais de 500 livros. Afirmo-o porque, quando me iniciei no Dosvox, ficava feliz em anotar tudo. Viva Daniel Serra! Viva Antônio silva! Deram-me os primeiros livros e, com eles, importante instrumento de mudança. Hoje, vivo a vida real e saboreio a vida dos livros. Tenho planos de, em qualquer dia destes, dedicar-me a escrita de um livro. Será a retribuição, pois que devolverei a vida que me emprestou. Ainda não sei o tema. Talvez seja algo relativo à vida profissional. Ela me tem absorvido. Mas também espero escrever algo sobre a minha visão da cegueira. Fico feliz em saber que, neste caso, teria ao menos duas leitoras. A primeira é minha esposa que, já há tempos, tem-me dito que escrevesse. Disse-me que minhas mensagens parecem livros. Tem razão, são realmente muito longas! Há quem queira que abrevie os capítulos! Novamente muito obrigado pelo incentivo!

  • Luís Medina comentou a entrada "Veículos híbridos poderão ter "car tones"" à 16 anos 3 meses atrás

    Não tinha pensado nisso. De fato, a coexistência entre carros elétricos e à combustão não nos permitirá reduzir o som em demasia. Mas já que os sons estarão a ser emitidos por autofalantes, será que não podemos instalar um botãozinho de volume? Assim, quando mais carros elétricos fossem utilizados, poderíamos reduzir o barulho! Bem, estou a brincar, se cada um pudesse regular o volume e dependêssemos do gosto pessoal, lá se ia o padrão. Mas de fato, poderia ser este um parâmetro da regulagem do veículo. A ver dade é que temos de aguardar mesmo. Não consigo imaginar todas as implicações que isso pode ter. Sempre estivemos a falar da acessibilidade das vias, mas agora, falamos da acessibilidade dos veículos. Esta tal de acessibilidade é um molusco com muitos tentáculos.

  • Ana Duarte comentou a entrada "Namoro entre cegos e entre um cego e um normovisual: Quais as diferenças?" à 16 anos 3 meses atrás

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  • Ana Duarte comentou a entrada "Namoro entre cegos e entre um cego e um normovisual: Quais as diferenças?" à 16 anos 3 meses atrás

    Sérgio e Sofia,
    Subscrevo integralmente tudo quanto foi dito pela Sofia e mais não digo!
    Sérgio, sobre o que referes, tomo a liberdade de dizer do meu ponto de vista, que a importância que se atribui a uma dada situação é que pode condicionar imenso o que dali possa sair e atrapalhar...
    Enquanto normovisual vivi uma experiência com um cego recente (já o conheci como tal) e guardo essa "aventura" com gratidão e ternura no coração! Se não resultou foi porque andámos em timings algo desfazados e no "ponto óptimo" ele optou por levantar voo... Sofri como bem podes imaginar, mas o que importa extrair daqui é que aprendi muito com esta relação, a vários níveis, conheci-me melhor, mas também percebi que tinha o apoio incondicional da minha família e dos meus amigos que, inicialmente, se surpreenderam com o facto mas logo disseram que não duvidavam que alguém do género pudesse ser a pessoa certa para mim, sabendo o quanto eu sou uma pessoa altamente sensível e solidária e com facilidade em deixar-me cativar por quem mereça conhecer o meu lado mais especial.
    Ao falares em desleixo só me ocorre pensar, neste momento, num desleixo que tive nessa relação, sempre que agia como se ele não fosse cego, o que sucedia muitas vezes, na medida em que eu procurava vê-lo da mesma forma que supostamente ele me devia ter visto... com os olhos da alma! Podia desleixar-me ao apontar para uma cor e dizer que gostava daquela cor, sem que ele a visse e pudesse saber qual era, até eu corrigir a minha gafe, ou desleixava-me algumas vezes (no início) quando não descrevia o tipo de pergio de que devia ter em atenção em dado sítio, eventualmente para não apanhar com um arbusto no rosto. Porém, não o deixava aos papeis como se costuma dizer, se a isso te referes, quando acompanhada de mais gente, antes pelo contrário, certificava-me de que se enquadrava e se sentisse logo integrado Também era o primeiro a ser servido, na minha companhia e não esquecia de deitar um olhar para me certificar de tudo estaria em ordem ou precisaria de alguma ajuda discreta, naturalmente... Descrevia o mais que podia as imagens e situações que visse em filmes ou de passagem em algum lugar, para não lhe faltarem registos a considerar na percepção que tinha das coisas e dos filmes. Se no hall de entrada do meu prédio o percebia desorientado, antes de apanhar o elevador para vir ao meu encontro, eu mesma já me antecipava no caminho do seu encontro e enquanto não chegava dava imediatamente conta da minha presença através da voz, para evitar o prolongar de quaisquer sensações de desorientação e vazio pontual que a mim, pessoalmente, incomodavam na sensibilidade da alma...
    Em suma, como a Sara dizia e muitíssimo bem em TUDO, destaco novamente que a regra nas relações entre normovisuais e cegos é o Amor incondiconal, a aceitação e entendimento recíprocos, a confiança e o respeito mútuos e o diálogo constante para não gerar fossos e maus entendidos, mas deixar margem de manobra para que ambos possam saber como corresponder, tanto quanto o possível, às expectativas um do outro. É indispensável a compreensão!
    Teoricamente, ninguém se apaixona por ninguém por telecomando e como tal, não deve olhar ao facto de ter alguma deficiência seja ela física, motora ou emocional. Na prática, do meu ponto de vista, sucede o aumento da tendência talvez do subconsciente estar de tal ordem programado para se deixar atrair e reagir em favor de quem lhe seja mais "igual" do que com o que lhe seja diferente, daí cegos com cegos (por melhor se compreenderem) e normovisuais com normovisuais. Felizmente que nem sempre é assim, como demosntram aqueles casos como o da Sara, em que o amor fala mais alto e não se limita por condicionalismo algum, mas reforça ainda mais a relação! Pode haver casos, em que o útil se junta ao agradável, numa relação em que tudo se torna mais fácil de gerir com um normovisual por perto... ajudando na indecisão de se apaixonar por um parceiro cego ou antes um normovisual, se o esquema mental for chamado a dar a sua opinião. No entanto, segundo pude perceber a parti de alguns registos aqui e ali, que inclusivamente li algures, uma relação desse tipo pode condenar, em certa medida, o cego a uma insegurança maior (aí vejo a desvantagem) quanto aos aspectos que não vê e não percebe, logo não domina, na reacção do seu parceiro, que inadvertidamente possa esconder através da voz, para se defender ou o proteger, ou não o incomodar, etc... Quanto a casais eventualmente ciumentos, só posso imaginar que a falta de visão possa ser um calvário para quem não confie no seu parceiro, mas uma benção para quem nele confia inteiramente. No fundo, acho que a cabeça de cada um é o seu principal inimigo, isso sim!!!
    Em virtude do envolvimento com uma pessoa cega eu pude conhecer em maior profundidade as minhas qualidades e os meu defeitos, apreciei melhor o alcance das minhas emoções e reacções, descobri e valorizei muito mais a minha pessoa e a minha relação com os demais. Por seu intermédio aprendi a conhecer-vos melhor, bem como as belíssimas qualidades dos cães-guia, valorizando imenso o potencial e a coragem de ambos no que define a especificidade do seu Ser em acção e, para terminar, apenas posso acrescentar que me agrada bastante o conforto que sinto na vossa companhia. Isso não chega? Não pensem demais...
    Um abraço e sejam felizes, sempre um bocado em cada dia,
    Ana

  • Daniel Serra comentou a entrada "Veículos híbridos poderão ter "car tones"" à 16 anos 3 meses atrás

    Caro Luís,

    Sim, concordo que os carros, pelo menos alguns, são bastante barulhentos, mas isso também depende muito do piso. Actualmente existem muitos carros que em cidade, em ruas alcatroadas já não fazem muito barulho. Se forem eléctricos, então em alcatrão, o barulho será mesmo muito baixo.

    Concordo que se todos os carros fizessem menos barulho, o problema não seria grande, e que até se poderia ouvir outros sons. O problema é que nos próximos tempos não se prevê que os carros de combustão acabem, pelo que a coexistência de carros silenciosos e outros barulhentos pode ser realmente perigoso, visto que os carros normais dificultam a audição dos carros eléctricos.

    Um outro problema, é que os carros eléctricos quando parados, não emitem qualquer som, o que pode ser um problema em algumas travessias, já que o carro até pode estar parado, mas arrancar a qualquer momento, e o cego não está de alerta, já que pode pensar que não há carro nenhum.
    Mas vamos esperar que o problema seja solucionado, antes que realmente seja verdadeiramente um problema.
    Abraço

  • Luís Medina comentou a entrada "Veículos híbridos poderão ter "car tones"" à 16 anos 3 meses atrás

    Daniel,
    Concordo consigo. Se os ruídos forem coisa muito diferente do que esperamos para um veículo, talvez não seja simples associá-los imediatamente a ele, especialmente se um tem som de nave espacial e outro de rugidos de tiranossauro. No limite, poderia confundir-nos e estarmos a imaginar que passamos de fronte a uma loja de jogos. Não sei. Talvez exagere o que não conheço. Mas de certo,, acharia muito bom que o som fosse padrão. De qualquer modo, o trâfego é muito barulhento e não desejo que se perca a oportunidade de que automóveis façam menos barulho. Curiosamente, acredito que com a diminuição do barulho, ouviremos muito mais do que ouvimos hoje. Mas a preocupação é, de fato, muito, muito pertinente.

  • Daniel Serra comentou a entrada "Veículos híbridos poderão ter "car tones"" à 16 anos 3 meses atrás

    Boa noite,

    Este é realmente um problema que me tem preocupado, o perigo que constitui o facto dos carros eléctricos fazerem muito menos barulho. Actualmente já há carros que mal se detectam, mas com carros eléctricos ainda será mais complicado.

    Acredito que mais tarde ou mais cedo este problema seja resolvido, mas preocupa-me o que acontecerá até lá, em especial, porque tudo indica que Portugal estará na linha da frente do uso destes meios de transporte, e ainda bem.

    Sou a favor destes veículos, mas devem-se tomar medidas para evitar acidentes.

    Fico contente ao ler esta notícia e constatar que os fabricantes começam a preocupar-se, mas nota-se que cada um optará por um som diferente, o que poderá ser um problema.

    A meu ver a única forma para resolver este perigo, seria a existência de normas, provavelmente europeias, que impusesse que tais veículos fizessem algum barulho, e que esse som fosse padronizado.
    Vamos ver o que o futuro nos reserva.

  • ldias comentou a entrada "Namoro entre cegos e entre um cego e um normovisual: Quais as diferenças?" à 16 anos 3 meses atrás

    Olá Sofia

    Tenho 37 anos e sou cega total. Nasci com Glaucoma e já passei por todas as etapas que possas imaginar:

    Até aos 16 anos fiz uma vida normal. Nessa altura comecei a perder visão de forma lenta e gradual. Aos 18 anos, altura em que a perda de visão me começou a causar sérias dificuldades,iniciei um processo de reabilitação. Nessa altura conheci pessoas com o mesmo problema mas até aí não fazia ideia do que era ser deficiente. Os meus pais nunca tinham conversado comigo sobre o assunto, (talvez por também nunca ninguém lhes ter explicado), pelo que sofri muitas angústias. Nesse tempo era jovem e tinha a garra de quem luta pela sobrevivência. Queria viver e esforcei-me por ser independente. Era irreverente e inconformada, levantei as mãos e fui á luta.

    Durante a minha adolescência e juventude, no tempo de namoro, não conhecia pessoas com problemas. A deficiência era assunto pouco falado. Sempre me relacionei e namorei com normovisuais, aliás, era assim que eu me considerava.

    Aos 18 anos fui considerada deficiente visual, grande amblíope. Ainda não usava bengala, não lia braille e tinha muitas dúvidas. Tentei conhecer pessoas com os mesmos problemas para adquirir conhecimentos que me permitissem ultrapassar as dificuldades.

    Nesse tempo, comecei a namorar com aquele que é hoje meu marido. Um rapaz normovisual de quem era amiga há muito tempo.

    As minhas dificuldades visuais não foram um entrave pois nem sequer nos ocorriam tais preocupações. No entanto, e para evitar constrangimentos, usei de toda a honestidade e disse ao meu jovem namorado que sofria de uma doença que me poderia causar a cegueira. Não sabia quando ela iría ocorrer, se era certa mas era um perigo real. A sua resposta jamais esquecerei: "Amo-te como és".

    De grande amblíope passei a visão reduzida e, depois dos 30anos fui considerada cega, primeiro com resíduo visual, e há poucos anos atrás, cega total.

    O namoro, de 6 anos, com o meu agora marido foi muito feliz, saudável e emocionante. Trocamos promessas, cometemos loucuras e partilhamos sentimentos. Tudo o que qualquer namoro precisa para florescer. Agora estamos casados e já lá vão 13 anos.... o que achas? A nossa filha tem 6 anos e é fruto de um grande amor.

    Ao longo deste tempo, nem tudo foi um mar de rosas, claro. a sua família não me aceitou como eu gostaria. Sofri muito com isso, acredita. Agora já me aceitam melhor mas graças ao meu esforço de nunca me autodesvalorizar. Aquele que realmente importa, o meu marido, nunca me abandonou: Nunca criticou as minhas falhas, nunca desprezou as minhas dificuldades, nunca exigiu mais do que eu poderia dar. Respeitou sempre as minhas incapacidades, apreciou sempre as minhas capacidades.

    A discriminação é cruel. magoa, destrói, desanima. O amor é mais forte, dá coragem, alento e é fonte inspiradora. Qualquer relação passa por momentos bons e menos bons, mas se o amor está presente, como fonte de vida, alicerce de apoio, tendo como viga mestra o respeito, e a confiança e a solidariedade como betão, qualquer relação será sólida e duradoura.

    As relações, sejam elas quais forem, sejam os intervenientes como forem, precisam de bases sólidas para que, quando abaladas, possam resistir. As feridas surgem mas é preciso saber como tratar delas. O diálogo,, tendo por base de sustentação a sinceridade e a confiança, é a melhor forma de auscultar o bater de uma relação. Acredito que muitas relações são afectadas por falta de sentimentos de união, ou de um projecto cumum, em que o egoísmo causa a cegueira da alma. Egoistas e cegos de espírito, não percebemos que algo está para além de nós e que não somos o centro do universo. Muito mais existe....

    O amor salva as relações, aceita as diferenças, resolve as contradições. O amor é como as duas partes de um todo que se unem para que o todo se complete e sem as quais o todo não sobrevive. Se eu não consigo ver a luz, ele segura a minha mão e leva-me em segurança; se ele não consegue caminhar no escuro, eu seguro a sua mão e trago-o para porto seguro. Assim é o amor, uma comunhão de "dar", "receber" sem nada exigir, incondicional.

    Com deficientes ou com normovisuais, acredito que ainda tenhas muito para viver. Assim, vive, pois viver é bom, apesar de não ser fácil. A vida é cheia de encontros e desencontros. As pessoas são complexas pois complexos são os sentimentos humanos. A pessoa certa para ti um dia chegará, estará alí, sem que sequer te apercebas. Ela terá um rosto, uma forma, uma alma e um coração. Saberás quem ela é, no momento certo e aceitala-ás tal como é. Só assim será essa a pessoa certa. Se isso não acontecer é certamente por não ser essa a pessoa do teu destino....

    Auto-confiança, auto-valorisação, respeito por ti mesma e pelos que te rodeiam, coragem, força de vontade e alguma humildade, serão importantes armas de defesa nos momentos de desânimo..

    Ldias

  • Ana Rocha comentou a entrada "Namoro entre cegos e entre um cego e um normovisual: Quais as diferenças?" à 16 anos 3 meses atrás

    Ana RochaOlá Sofia e todos, eu na minha opinião concordo que não deveria existir descriminação entre ambas as pessoas sejam cegas ou normovisuais... eu no meu caso tenho um namorado ambliope e por acaso so usamos a bengala quando nos sentimos mesmo perdidos ou em estadas perigosas. Posso partilhar aqui a experiência de eu ser totalmente cega mas ter sido muito bem aceite pelos pais dele principalmente e depois pela família. Embora eu saiba que no geral ha muitas pessoas que não aceitem esse tipo de relações...

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