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Últimos comentários

  • Luís Medina comentou a entrada "PROBLEMAS NAS RELAÇÕES FAMILIARES OU NO NAMORO, QUE ENVOLVAM A DEFICIÊNCIA VISUAL" à 16 anos 3 meses atrás

    Isabel,
    Porque mais jovem, seu namorado não deve ter a consciência de sua grande responsabilidade. Sim, os pais de filhos deficientes, por vezes, estão a querer que os cônjuges de seus filhos sejam nada menos do que seus sucessores. Se os namorados não se identificam com a responsabilidade e a ternura dos pais, dispostos a cuidar e a orientar, então, não estão aptos ao posto. Estão a falar de namoro? De casamento? Não. Falam de qualquer outro sentimento que não aquele saldável entre um homem e uma mulher que se amam e desejam viver juntos.
    Mas o fato é que se fossem da mesma idade, então, porque a consideram menos experiente, achariam-na vulnerável às vontades do namorado. E se fosse mais velho, então, governaria inteiramente sua vida. Se fosse mais velho e ainda normovisual, fica claro, nada restaria de sua autonomia. Mas se fosse cego, então, você não teria pensado nas questões de ordem prática que a união de duas pessoas cegas implica.
    O que lhe digo é que qualquer que fosse sua escolha, argumentos haveria contra o que decidiu. A única coisa certa para estas pessoas é que não deveria ter relacionamento algum. Deveria ficar o tempo inteiro a contar os dias até que a morte chegasse. Oh! Sei que sou exagerado. Depois de muitos anos, perguntar-lhe-iam porque não leva uma vida normal como as outras pessoas. N'algum dia, a consciência chega para os pais. Eles se perguntarão o que se fez de tanta proteção. O que acrescentaram na vida de seus filhos. E a resposta é desesperadamente oca, inútil porque os anos já passaram. Às vezes, fico a pensar de que adianta ter os olhos sãos, se insistem em mantê-los fechados.
    Seus pais estão perdidos, mas detém os meios para pressioná-la. E o pior é que, nestas circunstâncias, todos os indivíduos são reduzidos à dicotomia entre visão e cegueira. Os que estão na primeira classe, são pessoas ponderadas; os da segunda, imaturos; os primeiros são fortes; os últimos, esfacelam-se ao vento mais débil.
    Diante de situação como esta, tendemos aos extremos. Podemos baixar a cabeça e aceitar o que outras pessoas decidem por nós, ou então, fazer escândalo, bater as portas e assumir o confronto. Freqüentemente, nos extremos, não encontramos boa solução. No passado, porque desejava a auto-afirmação, fui teimoso em demasia e, por vezes, deixei de ouvir os pais quando deveria fazê-lo. Porque estamos certos em nos opor a algumas opiniões radicais, somos também radicais e, infelizmente, radicais ao ponto de não ouvir o que nos falam de verdadeiro, radicais ao ponto de perdermos a credibilidade. O equilíbrio é muito difícil. Para alguém que se afoga no mar, é correto dizer que não se debata porque mais rápido as forças se esvaem. Há que se ter calma e equilíbrio. Mas quando as emoções derramam-se aos borbotões, não é sempre possível manter a calma, ainda que nos prejudiquemos por isso.
    Se você faz uma escolha e ela é diferente daquilo que seus pais imaginam, de certo, será cobrada por isso. Tudo se resumirá à cegueira. Se uma briguinha de namorados ocorre, é porque cegos e normovisuais pensam de forma diferente, porque pessoas mais velhas e mais jovens pensam de forma diferente. Se, em algum momento, ele sair sozinho porque você não gosta do passeio, então, é porque tem vergonha de si. Estas são as estratégias clássicas de pressão e terá de ser forte para enfrentá-las sem ter raiva do opressor. Não imagina quanto a raiva rouba-nos a clareza do pensamento. Em qualquer discussão, não nos permite articular dois argumentos com lógica, ao menos, comigo tal sucede. Por isso, tento exercitar a calma porque sem ela, freqüentemente, perco a razão.
    E será que considero a visão um obstáculo no relacionamento entre duas pessoas em que apenas uma delas é deficiente? É possível que sim, tal qual é possível que duas pessoas de etinias diferentes, de classes sociais diferentes, de religiões diferentes, de convicções políticas diferentes também não se entendam. Ao contrário do que se afirma, de que os opostos se atraem, nos relacionamentos vemos as semelhanças unirem mais do que as diferenças, afinal, as pessoas não são ímãs. A diferença tempera, mas como sabemos um prato excessivamente temperado perde o bom sabor. Sim, diferenças são desejáveis, no entannto, aquelas que nos completam e não as que nos confrontam.
    Um dia, disse a minha mãe: "Passei em um concurso público e estou de partida para outra cidade para morar só". Em uma frase, disse que sairia de casa pela primeira vez, que moraria longe e sozinho. O choque foi estarrecedor. A despeito da oportunidade profissional, ela me aconselhou que deixasse tudo de lado. Outro concurso apareceria e, afinal, não se tratava de recusar algo que eu tinha, mas evitar o que eu não podia. O que se poderia esperar de uma mãe? Eu a compreendo. Fez-me recomendações ao enlouquecimento. Levei-a comigo para passar os primeiros dias. Tinha de arranjar casa. Bem, é claro que as tais coisas de ordem prática existem mesmo. Ela adiou tanto quanto pôde, mas ao cabo de duas semanas, disse-lhe que ela tinha de voltar, retomar sua vida porque eu cá já tinha a minha. Deveria ela ficar feliz porque me encontrava. Ficou feliz e triste, riu e chorou. Nos primeiros meses, ligava-me todos os dias para saber o que eu tinha comido, se minha roupa estava adequada, se as frutas estavam bem lavadas, se eu não me expunha a perigos, etc. No início, fui minucioso. Queria a libertação, mas também queria que minha mãe ficasse bem. Depois comecei a dar respostas mais genéricas. Não faria bem a ela mantê-la informada sobre cada minúsculo pormenor. Cada pormenor era um item de verificação, um motivo de preocupação. Os detalhes foram diminuindo. Por vezes, reclamava por meu laconismo. Hoje, já não me pergunta tanto. Confia tanto quanto as mães costumam confiar. Não deixou de ser superprotetora. É mãe. Isso não é possível. Mas considero que a relação esteja equilibrada.
    Isabel, quando estamos envoltos pela pressão, pela insegurança, não é fácil raciocinar com clareza. E mesmo quando raciocinamos, não conseguimos agir. Creio que qualquer pássaro, quando está a bater as asas pela primeira vez, avalia que a altura é grande demais e que se cair certamente se ferirá. O importante é que esteja certa de que o caminho existe. Você dará um passo de cada vez. Ora, ora, você tem apenas 33 anos. Tenho 34 e a história que lhe contei, deu-se aos 29 anos. Como vê, não sou experiente como disse em sua mensagem anterior, simplesmente, ultrapassei algumas barreiras.
    E a idade importa? A idade cronológica, os anos que se somam ao seu nascimento, não, esta não importa. Importa sim a idade mental. Quando duas pessoas têm maturidades muito diferentes, há risco de que as expectativas de parte à parte sejam muito diferentes e, assim, os namorados se machuquem por não se entenderem. Este é problema verdadeiro. Mas há gente de todas as idades a ter idades mentais de todas as idades. Então, não é perfeitamente natural que pessoas com idades cronológicas distintas se apaixonem? Tão natural quanto dois e dois são quatro. Ocorre que o mundo gosta das simetrias. Tal qual não desejamos um azulejo redondo em uma parede de azulejos quadrados, não apreciamos que a assimetria das relações tenha êxito. O mundo é bem mais fácil de entender se pessoas com idades iguais, com aparências físicas semelhantes, com patrimônios equivalentes, com religiões iguai e com propósitos de vida compatíveis, enfim, o mundo é bem mais simples de compreender se o previsível acontece. Ocorre que a única coisa previsível no mundo é que ele nada tem de previsível.
    Tudo o que tem de perguntar é se está a namorar pelos motivos corretos. Minha primeira namorada era muito frágil. Tinha baixa autoestima e, por isso, procurou-me. Namorar uma pessoa cega, para ela, era o único meio de sentir-se grande na relação. Mas ocorre que sou um tantinho autoritário e, sem querer magoá-la, acabei por tornar-me controlador. Não havia uma força que se opusesse à minha vontade. Ao fim, estava a desenhar-lhe o caminho sem que ela pudesse escolher. Era mais pai do que namorado. É claro que isso não deu certo. Por isso, digo-lhe namore, seja feliz, extremamente feliz, mas pergunte-se sempre quais são os motivos que lhe puseram tal pessoa no caminho. Se a resposta é amor, identificação pessoal, admiração, encantamento, então, você está no caminho certo. Se a resposta é que estava só, que alguém tão frágil quanto você estava só, então, estará tão errada quanto eu estive. Fuja deste tipo de relacionamento. Você é cega, mas ora, ora, é uma mulher que se permitir ser olhada, querida, se for você mesma, enfrentando a cegueira como a qualquer coisa de pouco importante, se você conseguir mostrar-se forte, então, será admirada, será querida, será forte, será encantadora, será bom estar ao seu lado e, assim,os olhos se levantarão para vê-la lá em cima. Não está a pensar que estas virtudes, por vezes, tão escassas se atirarão ao vento por causa de uma mísera cegueira não é mesmo? O que digo é perfeitamente verdadeiro quando falamos de pessoas que procuram ser felizes, sem preocupar-se se a felicidade é redonda ou é quadrada. E se não estamos a falar destas pessoas, então, procuremos não nos importar com elas, afinal, são mesmo pobres de espírito.
    Vamos lá, Isabel. Nem caminhe tão rápido que tropece, nem tão devagar que não chegue a lugar algum.

  • Sérgio Gonçalves comentou a entrada "Namoro entre cegos e entre um cego e um normovisual: Quais as diferenças?" à 16 anos 3 meses atrás

    Sérgio GonçalvesOlá Sofia
    Sou casado com uma pessoa normovisual, e digo-te que as coisas não são assim tão benéficas como possam parecer.
    Ha ideia da grande maioria dos cegos que ter-se uma relação com uma pessoa que vê traz vantagens, mas isso não pode ser considerado assim tão certo.
    Se é verdade que estarmos com quem vê nos pode trazer alguma maior autonomia nomiadamente em casos que tu já inumeraste, mas por outro lado temos de perceber que também estamos em desvantagem em relação aos normovisuais.
    Não me refiro ao facto das pessoas que vêem possam discriminar os invisuais, mas muitas vezes por desleixo, por esquecimento, e muitas outras coisas, que mesmo sem intenção, acabam por nos colocar em desvantagens em relação a eles.
    Terei mais coisas para dizer, mas vou deixar outras pessoas também falarem sobre este assunto, que é no meu ponto de vista super importante, e como disse acima, muitas vezes analizado não da melhor forma por todos.
    Beijinhos para ti, e uma boa semana.
    Sérgio

  • Ana Duarte comentou a entrada "PROBLEMAS NAS RELAÇÕES FAMILIARES OU NO NAMORO, QUE ENVOLVAM A DEFICIÊNCIA VISUAL" à 16 anos 3 meses atrás

    Há muito tempo não tenho vindo cá, tive umas baixas muitíssimo importantes para mim, nestes dois meses e um dos meus melhores amigos anda desaparecido... pelo que não estou no meu melhor astral, mas só hoje vim ver este correio e não podia deixar de passar um abraço à Isabel e desejar, de coração, que a esta altura do campionato, já tenha tido boas melhorias na sua vida, como os demais amigos que enfrentam os maiores obstáculos. Fraquezas, dúvidas e inseguranças todos as temos e é normal pensar em mandar tudo para o alto. Conheço muito bem essa sensação, também, mas a voz da consciência fala mais alto e temos de ver nela a nossa melhor amiga, aquela que também nos conduz à calma necessária! Não desanimem...
    Sinceramente, era tão bom que houvesse algum encontro entre familiares de cegos com experiências diferentes, de modo a apoiarem-se mutuamente e conseguirem conferir força aos cegos que dela precisassem e não encontro apoio dentro da sua própria família! Se algo se faz nesse sentido, certifiquem-se de que os vossos familiares participam ou lhes cgea informação útil às mãos, a fim de procurar eliminar mais um pouco dessa triste discriminação.
    Quanto a ti, Sérgio, queria muito receber um e-mail teu com as novidades, a ver se percebo o que se anda a passar lá pelo emprego. Vamos pôr a conversa em dia, sim? (sorriso rasgado)
    Beijinhos,
    Ana

  • Bruno Beto comentou a entrada "Brasil - Técnica inédita previne o estrabismo" à 16 anos 3 meses atrás

    Tenho 31 anos e até o ano passado sofri desse problema. Desde criança,eu tinha um desvio no olho direito, por causa de uma baixa visão no mesmo. Apesar de ter sido pouco, esse estrabismo me incomodou bastante, sobretudo depois de eu entrar na fase adulta, quando tive que começar a trabalhar e lidar com os mais variados tipos pessoas. Algumas reações eram preconceituosas. Então procurei um tratamento para meu estrabismo em vários hospitais, sem obter respostas. Isso durou anos. Até que encontrei a Fundação Altino Ventura, em Recife,onde passei por duas cirurgias, a segunda,em 22 de outubro de2008, de correção do desvio. O resultado dessa foi surpreendente! E foi tudo de graça! O estrabismo não desapareceu totalmente, porém já posso olhar nos olhos das pessoas sem causar confusão nelas.

  • Maria Otilia de França comentou a entrada "Uma nova esperança" à 16 anos 3 meses atrás

    Ola sofia
    Forca para esso teste
    Les résultats sont déjà démontrés.
    courage et donne des nouvelles
    bisous

  • Carla Lourenco comentou a entrada "Como calar o talks quando o seu telemóvel estiver com o teclado bloqueado" à 16 anos 3 meses atrás

    Bom dia:
    O meu pai tem o Talks no seu Nokia N73 que lhe oferecemos, mas o altifalante da assistente está muito muito alto, desta forma peço esclarecimentos sobre como baixar o som da "assistente", já sei que devo usar a tecla [talks], mas sinceramente não sei, não conheço muito bem o telemovel novo...
    Podem ajudar-me?

    Grata pela atenção

  • iaraflor comentou a entrada "Talks" à 16 anos 3 meses atrás

    Olá Well, perdoe-me a demora no contato, a universidade e a vida pessoal é agitada...
    No trabalho produzimos os materiais necessários para os alunos DVs da graduação e ensino básico estudarem e ainda oferecemos apoio pedagógico.
    Imagina só a agenda.
    Gostamos muito do que fazemos e o que permeia nosso trabalho é o próprio ideal e a convicção de que todos devem ter o recurso que precisa para estudar, se formar e ser competente.
    Depois eu falo mais um poquinho de mim, ok.
    Gostaria de lhe pedir dicas sobre a adaptação do espaço de trabalho para o DV. Isto é bastante importante pois lidamos com pessoas em formação profissional.

    Abraços

    Iara

  • Manuel comentou a entrada "CPLP: Mais de 314 milhões de deficientes visuais em todo o mundo, 34 milhões de cegos -- OMS" à 16 anos 3 meses atrás

    Segundo a Glaucoma Research Foundation o Dia Mundial da Visão neste ano foi dedicado à sensibilização das mulheres e saúde ocular. De acordo com esta prestigiada Fundação, em todo o mundo, 314 milhões de pessoas são deficientes visuais, dos quais 45 milhões são cegos. Quase dois terços das pessoas afectadas pela perda de visão são do sexo feminino

  • manoel comentou a entrada "CPLP: Mais de 314 milhões de deficientes visuais em todo o mundo, 34 milhões de cegos -- OMS" à 16 anos 3 meses atrás

    Segundo a empresa PROJIC, empresa que esta desenvolvendo um produto revolucionario para o mercado de cegos no Brasil, o mundo tem 50 milhoes de cegos. E 2 milhoes no Brasil.

  • anónimo comentou a entrada "O que é síndrome de Marfan?" à 16 anos 3 meses atrás

    Meu marido é portador da sindrome, tem 31 anos e tambem passou por uma cirurgia muito dificil, mais a dele foi uma cirurgia cardiaca. Se vc tiver oportunidade leva seu filho ao INCOR em Sao Paulo, la tem uma equipe otima e foi la q meu marido operou (a 10 anos atras) e esta super bem.

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