Está aqui

Últimos comentários

  • Ana Duarte comentou a entrada "CONHECIMENTO DA VIDA DEPOIS DA MORTE AJUDOU-ME A ENCARAR A DEFICIÊNCIA" à 16 anos 2 meses atrás

    Caro Jorge,

    Sempre me decidi dizer umas palavras, espero que não muito maçadoras acerca do tema que lançou e que me aguça bastante a curiosidade, também, porque há muito tempo me questiono sobre muitas coisas, mas desde há poucos anos anos para cá, vivi momentos muito delicados na minha vida e quero acreditar que foi desde então que me comecei a concentrar no principal e a dar-lhe especial atenção, fruto da Fé e da crença em Deus. Foi Ele quem me segurou o rosto e me impediu de chorar mais uma lágrima que fosse aquando de um enorme desgosto (até estranhei). Se já antes não era indiferente à espiritualidade, desde então muito menos passei a ser e aumentei essa chama diante de outros factos que guardo no coração, mas que me fizeram compreender que as manifestações do Espírito Santo surpreendem-nos quando menos esperamos, não ocorrem porque nós queremos mas porque Ele acha que encontrou em nós um bom hospedeiro para se alojar e ficar à vontade connosco, para se manifestar da forma que melhor entender (uma forma diferente da outra). Como dizia Dom Carlos Azevedo Bispo de Lisboa, não nos devemos limitar a abrir a porta e deixá-lo ali para lhe voltar as costas dizendo "eu venho já!" ou desatar a desbobinar um churrilho de pedidos... antes devemos mandá-lo entrar e pôr-se à vontade, como bom anfitreão e deixá-lo falar ao que veio, tocar em assuntos que possam ser do seu agrado e deixar a conversa rolar. Ao seu ritmo a conversa fluirá para outros caminhos que também a nós inquietem, mas deixemo-lO falar e estejamos disponíveis para o ter em nossa casa (coração).
    É bom aproveitar a paz da noite antes de adormecer, para esperar esta visita e recebê-la como ela merece! De madrugada, se entender, pode bater à porta e surpreender-nos da forma que entender, se algo de importante tiver para nos dizer, provavelmente, se lhe mostrar-mos essa inquietação e lhe deixarmos o convite para aparecer ás horas que melhor entender por conveniente... (e nos deixasse recordar a sua visita pela manhã ao acordar). É o treino diário que educa o ouvido e o trato com o Espírito, tal como a música que gostamos ou não de ouvir... A meditação poderá ajudar.
    Faz bem escutar aquela vozinha lá bem no fundo que se antecipa à nossa própria voz e nos faz dizer: "é a Sua voz ou é a minha?" Há alturas que se geram dúvidas mas o melhor é parar de falar e escutar, simplesmente. Dar silêncio ao corpo e à alma e pedir ao Criador, ou ao Universo se entenderem, mas persistentemente num desejo sincero e convicto, de aumentar a sua própria Fé e colcoar-se à mercê daquele que dizem acreditar para se manifestar em si mesmo e lhes mostrar o que considere importante saberem para vossa própria felicidade e sobretudo para realizar a sua vontade! O que espera de cada um só sabe aquele que lhe pedir pistas, com humildade, mas nem sempre no momento que esperar tê-las. Depois de nos sentirmos tão próximos d'Ele não conseguimos ficar quietos, nem calados mas ainda assim, é preciso saber conter as palavras porque "os segredos não se contam".
    Em Deus, Jesus e até no Demónio acredito e devo dizer que também nos vê e ouve mentalmente e nos tenta como se pretendesse ganhar mais um jogador para a sua equipe, em deterimento do esforço do adversário, mas como eu venho dizendo, "comigo, laranja... só em sumo" e mais não digo.
    Conheço alguém que vê anjos e fadas desde os seis anos de idade e até unicórnios, mas nunca a questionei sobre isso, mas fala com eles e eles guiam-na. Em todo o caso quando lhe falaram em mim, antes de me conhecer, ela pensou que eu era morena e de cabelo encaraculado, mas errou. Provavelmente porque em alguma outra encarnação teria sido como ela imaginava? Se calhar, nunca a questionei sobre isso. Facto é que passei a acreditar que muita coisa é possível, apesar dos olhos do comum dos mortais não ver, ao passo que outros podem ter visões óníricas, sem perceber como e porque deixam de a ter.
    Cabe a cada um esforçar-se por procurar as respostas às suas perguntas, pois creio que é disso que no Alto estão à espera (que não sejamos passivos) para nos surpreender. Só assim compreenderemos o nosso lugar neste mundo, os segredos do advir e a missão a que viemos assumir em prol de que metas, mas a aceitar com total convicção, o que é menos fácil...
    Se fui ajudada superiormente, sem dúvida que fui e estarei eternamente grata por todas as bençãos recebidas, desde a cura do meu cancro e da maleita da minha mãe que a deixou parecia moribunda. São Pedro e Santo António também me escutaram todas as vezes. Por outro lado, também o Dr. Sousa Martins se tornou um amigo incrível, mas sou uma ingrata para o meu Anjo da Guarda, pois raramente me lembro de lhe falar, sequer agradecer a sua protecção e companhia...
    Em suma, com o meu testemunho apenas pretendo mostrar que a Fé realmente é capaz de mover montanhas quando se ousa desejá-lo, mas deve ser espontânea, humilde e desinteressada, como aliás a relação com os nossos semelhantes e antes de sermos exigentes com o Alto devemos ser mais exigentes connosco para que nos levem a sério e não nos vejam como crianças caprichosas a pedinchar tudo o que querem! É preciso conquistar a confiança do Alto e dar-lhe espaço para se instalar como deve ser e fazer ecoar a sua voz no nosso espírito. Experimentem pedir que Deus derrame sobre vós a sua benção e a sua imensa luz e usufruam da paz desse encontro.
    Tenho imensa curiosidade por perceber o que há para lá da morte, mas sei que depois da morte só cá anda quem tem algum assunto por resolver, segundo ouvi dizer e mesmo depois disso persistem incógnitas. O conhecimento que se tem acaba decorrendo maioritariamente de filmes, de gente com capacidades extrasensoriais que alguém conhece em dado momento ou lugar.
    Peço desculpa pelo alongar do discurso, mas é um tema que dá realmente pano para mangas e não deve deixar ninguém indiferente, acredito... Todos terão algum contributo a dar.

  • Ana Rocha comentou a entrada "Namoro entre cegos e entre um cego e um normovisual: Quais as diferenças?" à 16 anos 2 meses atrás

    Ana RochaOlá Tixa e Sofia, antes demais queria dizer que os vossos textos dão uma grande lição de vida a qualquer um. Concordo plenamente com as vossas palavras pois eu também penso que não devemos ser persionistas, devemos valorizarmo-nos e depois valorizar os outros, e considero undamental numa relação seja ela como for entrecegos ou normovisuais ou cego e normovisual, ou pessoas de baixa visão que é fundamental o conhecimento e o respeito de ambos... Beijinhos

  • Sofia Santos comentou a entrada "Namoro entre cegos e entre um cego e um normovisual: Quais as diferenças?" à 16 anos 2 meses atrás

    Concordo plenamente contigo, Ticha.
    Fizeste muito bem em falar um pouco da tua vida pois isso ajuda-nos a perceber melhor a tua opinião e a reflectir.
    Estou plenamente de acordo contigo. Acho que, para que alguém nos valorise, precisamos de nos valorisar primeiro! Não podemos ser pessimistas pois isso só nos deita abaixo e deixa-nos com um sentimento de inferioridade que acabamos por transmitir a quem se encontra à nossa volta e aí sim, acabam por olhar-nos como uns coitadinhos (detesto esta expressão).
    Como tu disseste, é absolutamente normal sentirmos receio de não sermos correspondidos por uma pessoa normovisual mas não podemos viver "agarrados" a essa ideia .
    Temos de mostrar a nossa força de vontade, a nossa coragem e, sobretudo, a nossa igualdade perante os demais, ou seja, para que nos vejam por dentro e não apenas por fora.
    Beijinhos

  • marcio scardini comentou a entrada "eu como deficiênte visual estou jogando xadrez" à 16 anos 2 meses atrás

    boa tarde. Andre, meu nome e marcio, obrigado por se enteressar em ajudar a minh pessoa com as regras do jogo, e as posições das peças.a

  • ldias comentou a entrada "Namoro entre cegos e entre um cego e um normovisual: Quais as diferenças?" à 16 anos 2 meses atrás

    Caro Anónimo,

    Não sei de onde retirou tais conclusões, mas permita que discorde, se não totalmente, em grande parte do que afirma.

    Sou casada há 13 anos com um homem normovisual, de quem tenho uma filha, e possuo deficiência visual.

    Quando casei ainda possuía visão suficiente para elaborar tarefas em que a visão é principal orientadora. Com a perda progressiva e total da visão, facto ocorrido após o nascimento da nossa filha, o sentido auxiliador foi substituído pelos outros. As tarefas continuaram a ser desempenhadas....

    Tem razão quando diz que os cegos não se devem deixar acomodar ao apendice da visão do parceiro, com risco de contrairem dependência. Já tinha manifestado esta ideia em outro comentário. Qualquer pessoa que se acomode, aproveite, use, seja de que modo fôr, da boa vontade dos outros, corre o risco de se transformar num fardo. Mas daí a tomar isso como dado adquirido...., não.

    Haverá, certamente, pessoas que incorrem nesse erro mas não todas. Numa relação de desigualdade visual não é necessariamente assim. Eu faço testemunho contrário para bom exemplo dos demais.

    O meu marido deposita total confiança nas minhas capacidades domésticas. Confia-me os cuidados com a nossa menina, desde que esta é bebé. Afirma que o faço com toda a competência; Adora os meus cozinhados, elogia-os e solicita que lhe prepare aqueles manjares que só eu lhe sei presentiar; Delega em mim toda a confiança para cuidar da limpeza da casa e da roupa, ajudando por partilha e não por desconfiança, (e bem tenta escapar, bem á maneira masculina, na cumplicidade do sofá e da t.v, que lhe prestam solidariedade com notícias imperdíveis); Solicita-me ajuda para escolher as suas ropas confiando no meu bom gosto e selecção de qualidade.

    O meu marido ajuda em casa, por partilha de tarefas, para facilitar o nosso dia-a-dia, tal como impõe a vida agitada que hoje temos. Por meu lado, não tenho empregada a dias, faço tudo em casa, desde a arrumação, limpeza, colinária, jardinagem, educação e ocupação dos tempos livres da nossa filha. nada deixei de fazer por falta de um sentido, sou até, segundo ele, demasiado perfeccionista.

    Nunca preciso de ajuda? Sim, claro. Tarefas há que carecem da ajuda da visão certamente: limpar manchas de sujidade em paredes, pintar paredes desgastadas pelo tempo, matar algum insecto indesejável, reparar algum aparelho electrico, ler os livrinhos de histórias ou escolares da menina, verificar sinais de doença apenas visíveis na pele ou nos olhos da criança, colocar a quantidade certa de um medicamento que careça de dosagem, e outras tarefas que particularmente não me sinto capaz de fazer, ou não gosto ou carece de força física suplementar.

    Tudo isso, e outras que possam ocorrer, são situações pontuais, que não refletem dependência, incompetência ou comodismo. Em qualquer casal, as capacidades e incapacidades são rentabilizadas, elaborando cada um o que melhor é capaz de desempenhar.

    Isto falando, é claro, de casais cegos ou não, mas que se respeitam e amam, pois de contrário, o fracasso da relação é dado possível, senão adquirido.

    LDias

  • Sérgio Gonçalves comentou a entrada "Namoro entre cegos e entre um cego e um normovisual: Quais as diferenças?" à 16 anos 2 meses atrás

    Sérgio GonçalvesPartilho inteiramente com o que acaba de escrever o Luís, acrescentando que na maioria das vezes quem faz o nosso sucesso ou insucesso, somos nós mesmos!
    E isto serve para as relações amorosas, profissão, e tudo mais o que nos involve.
    A maior discriminação vem exactamente das pessoas cegas, e só não vê quem é cego mesmo.
    Cumprimentos,
    Sérgio

  • ldias comentou a entrada "Namoro entre cegos e entre um cego e um normovisual: Quais as diferenças?" à 16 anos 2 meses atrás

    Caro Luís Medina,

    As suas palavras poeticamente lançadas num discurso inteligente, mesmo ao seu estilo, são acertivas e não deixam nada mais a acrescentar.

    LDias

  • ldias comentou a entrada "Namoro entre cegos e entre um cego e um normovisual: Quais as diferenças?" à 16 anos 2 meses atrás

    Caro Hulk

    Não sou dotada da perfeição linguística e de eloquência do meu admirável Luís Medina, com quem partilho palavra a palavra da sua opinião, mas também tenho uma história que nega integralmente aquilo que aqui afirma.

    Eu sempre namorei com jovens normovisuais e casei com um deles. O meu marido é um homem bonito, licenciado, com uma profissão de respeito, inteligente, simpático e com uma vida social activa.

    Pois, como diz Luís Medina, o que viu ele em mim? De certo não se enamorou de uma rapariga fraca, mesquinha, dependente ou carente. Também não procurou uma mulher qualquer, cheia de dinheiro, que o sustentasse, já que dinheiro para tal eu não tinha.

    Eu era jovem, em fase de perda de visão, bonita, perdoe-me a falta de modéstia e cheia de garra. Não queria perder a oportunidade de viver, ainda que uma vida cheia de dificuldades. Queria ser tudo o que conseguisse, o que tinha direito: criança, jovem, mulher, mãe, trabalhadora, dona de casa, esposa. Para tal era preciso empenho, ir á luta, em busca dos sonhos, que com alento se tornaram realidade.

    Nunca me resignei ao meu malfadado destino. Contrariei essa condição de dependência, inutilidade e digna da piedade daqueles que se consideram imunes e se mantêm distantes.
    E foi isso que o meu marido viu em mim, força, coragem poder. Pois eu tinha força para suportar as adversidades, coragem para travar as batalhas aparentemente perdidas e poder, poder para inverter o rumo do meu destino. Poder para decidir, para aceitar, para recusar, para mudar, para encantar. Poder para querer e com isso conseguir...

    Os namorados que tive, antes de casar, assim como os admiradores,quando já casada, e depois de assumidamente deficiente, foram alguns. Casei com aquele que era o meu destinado, independentemente das nossas diferenças físicas. O que nos unia era muito superior.

    O meu caso não é único, nem fruto da imaginação, e muito menos saído de um capítulo de conto de fadas. Como vê, outros casos já aqui foram relatados e muitos outros eu faço testemunho. Certa altura da minha vida conheci um indivíduo, cego de nascença, alegre e inteligente. Não era fisicamente bonito, se é que a beleza pode ser discutida, mas irradiáva um não sei quê de magia interior. Todo ele era sedução e feitiço.... Conheci várias das suas namoradas, muitas tinha, todas lindas, estudadas e normovisuais....

    Auto-estima e auto-confiança

    O importante é o respeito por nós mesmos, ir ao encontro da vida, ela não vem só por si....

    LDias
    .

  • Ana Duarte comentou a entrada "Namoro entre cegos e entre um cego e um normovisual: Quais as diferenças?" à 16 anos 2 meses atrás

    Sem entrar em detalhes, achei importante dizer que subscrevo suas palavras, pois também eu nunca havia imaginado algum dia envolver-me com um cego e depois de nos conhecermos como qualquer pessoa se conhece, de um modo ou de outro, entre piadas e jestos e encontros cada vez mais frequentes, em que melhor nos íamos conhecendo, as coisas evoluíram sem darmos conta e sem nos apercebermos, ficando enredados numa teia de atracção e encanto um pelo outro (ambos interessantes a vários níveis mas bem diferentes em personalidade).
    Os avanços e recuos da relação ocorreram como em tantas outras relações ocorrem, mas nunca derivados de um ver e o outro não! Portanto, também o apoio nesta ideia de que não se pode padronizar nada e quem o faz erra....

  • Ana Duarte comentou a entrada "Namoro entre cegos e entre um cego e um normovisual: Quais as diferenças?" à 16 anos 2 meses atrás

    Quem disse que era fácil conviver com gente diferente de nós mesmos? Francamente, do meu ponto de vista, o ideal nem era tentar dar a mão a quem conhece mas a quem desconhece, ainda... Esses seus colegas demonstraram aquilo que são, pessoas sem a menor sensibilidade e capacidade para se confiar neles, logo pouco dignos da sua amizade, sequer. Portanto, passo a recordar uma frase que combata esse triste pensamento que não lhe sai da memória, por enquanto até insistir nisso: "O que vem de baixo não me atinge, nem eu deixe que suba". É um facto que não somos feitos de pedra, portanto há coisas que não nos são totalmente indiferentes, antes fossem, mas esta postura a adoptar tem de se tornar um hábito, a fim de impedir a crença estupida e até infundada, de que essas criaturas são superiores, quando é o oposto. Tanto assim é, que vocês conseguem dar a volta por cima e não lhes ter ódio, nem agir de modo vingativo, correcto? Então, tem de passar a dar menos cartão a essas situações e pensar que forma importantes na sua vida para a tornar uma pessoa mais forte e bonita por dentro, mas acima de tudo, pronta para novos desafios e marcar o seu lugar na história! A sua vinda a este mundo não pode ser em vão, nenhuma vida é em vão!
    Mesmo sem marcar encontros com amigos normovisuais, pode encontar-se com amigos cegos, até mesmo das lista onde está inscrita e fazer algo divertido, com a maior normalidade do mundo e não passar despercebida, é um facto, pelo simples facto de haver sempre um olhar curioso algures, mas em bom português... "cague nisso". Divirta-se com cabeça, conheça novos amigos cegos que sejam e através deles até pode vir a conhecer outros normovisuais que valham bem mais a pena e estejam disponíveis para acolher a sua amizade e, quem sabe, a seu tempo, algo mais!
    Está nas vossas mãos agitar estas águas e pescar algo melhor para a grande festa, depois... (ânimo)
    Beijinhos.

Páginas



2821 a 2830 de 5293