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Comentários efectuados por Marlin

  • Marlin comentou a entrada "A vida vale a pena mesmo com limitações " à 6 anos 3 meses atrás

    Viva,

    Não creio que viver valha sempre a pena, a final, não basta ter a vida, é preciso viver uma existência com dignidade e sobretudo prazeres, já que em minha opinião, esse é nosso principal propósito: ter prazer. Eu, marlin Rodrigues, não aceitaria jamais uma vida vegetativa, pois me considero o dono de minha vida, e tirá-la-ei quando achar que ela não mais tenha sentido. Por ora, vejo total sentido em minha vida, já que gozo de tudo o que ela pode proporcionar diante de minhas circunstâncias existenciais. Mas não esitaria em tirá-la se esse gozo cessasse.

  • Marlin comentou a entrada "Brasil: Time do Instituto de Cegos embarca para disputa do mundial da categoria" à 7 anos 2 dias atrás

    Eu não sabia que o time de João Pessoa tinha perdido a hegemonia.

  • Marlin comentou a entrada "Gêmeos surdos belgas morrem por eutanásia após perderem visão" à 7 anos 4 meses atrás

    Marco,

    Em momento nenhum eu disse que ser surdo e cego é um inferno; em momento nenhum eu afirmei que a cegueira é a pior deficiência que existe; tudo o que eu fiz, e que sempre faço, embora seja algo difícil, é tentar ver o lado dos outros, de acordo com a história vivida por ele, não me baseando em abstrações ou em minha própria vida.
    Você, como tantos outros surdo-cegos, é realmente um exemplo de superação, de como se deveria agir diante de tal situação.
    Tudo o que aqui eu tenho dito, são palavras de outrem, com as quais eu não concordo, mas compreendo, porque cada pessoa tem sua história.

    Ouça meu exemplo:

    Sou formado em filosofia,; sou colaborador e tradutor no projeto do leitor de tela/ecrã NVDA; possuo um emprego público; comunico-me regularmente em dois idiomas, Inglês e Espanhol; não tornei-me um judoca profissional porque não o quiz; da mesma forma, abandonei a música, porque não vi futuro nela que me agradasse, embora tocasse bem vários instrumentos. Mas tudo isto porque alguém disse à minha mãe que eu poderia trabalhar e ser alguém na vida. Sabe quem foi este alguém? O médico ao qual ela pediu que lhe desse um laudo, para que ela pudesse me apuzentar.

    E daí, eu posso culpar minha mãe por ter tentado me apuzentar?
    Creio que não, pois minha mãe, assim como meu pai, são pessoas sem qualquer escolaridade, que conviviam com uma realidade rural, onde o cego não passava de um mendigo.

    Com tudo isso, o que eu estou querendo dizer é que não é prudente julgar a sociedade ao redor deles, pois não sabemos qual o nível de conhecimento sobre o assunto, nem sequer sabemos se tentaram ajudá-los e eles simplesmente se recusaram a receber esta ajuda.
    Tudo o que eu defendi, foi que se eles estavam achando que a vida seria indigna e sem brilho, eles, mas não só eles como qualquer pessoa que o ache, tem direito à morte, assim como têm total direito a lutar até à última gota de sangue e suor por uma vida digna, se assim o desejar.

  • Marlin comentou a entrada "Gêmeos surdos belgas morrem por eutanásia após perderem visão" à 7 anos 4 meses atrás

    Olá, Céu

    Também não culpo a sociedade, pois se nós, que nos informamos algumas vezes não sabemos determinadas coisas, que se pod dizer da sociedade...
    Se eu, que sou apenas cego, já ouvi comentários dizerem que não há deficiência pior que a cegueira, imagino que pensam eles sobre ser surdo-cego.

    A sociedade não tem culpa de ser desinformada.

  • Marlin comentou a entrada "Gêmeos surdos belgas morrem por eutanásia após perderem visão" à 7 anos 4 meses atrás

    Viva, Marco

    Em primeiro lugar, deixe-me dizer que és fera a argumentar, pelo que gosto muito de conversar consigo.
    Agora preste atenção:
    Cada indivíduo tem uma história, e é exatamente essa história que nos distingue uns dos outros, pois ela é única.
    Você teve a sua, que por sorte e ao mesmo tempo garra, tem sido bem diferente da deles.
    mas a história deles é só deles, e conduziu ao rumo que conhecemos.
    Ainda assim não podes garantir que eles não procuraram ajuda, que não tentaram se reabilitar.
    Também acredito que não deves criticar os médicos que levaram a cabo a eutanásia, pois só atenderam a um pedido de quem não queria viver, alguém dotado de liberdade para viver ou não viver.

    Veja, caro Marco, da mesma forma que consideras covardia renunciar à luta e à vida, eu considero covardia não ver qualquer sentido nela e continuar se arrastando pelo mundo. Para mim, é uma questão de dignidade.
    Como dizia Karl Marx, vida é atividade.
    Será que não estás sendo dogmático?
    A vida pertence a quem a vive, e creio que este é livre para querê-la ou não.
    Pense nisso

  • Marlin comentou a entrada "Gêmeos surdos belgas morrem por eutanásia após perderem visão" à 7 anos 4 meses atrás

    Marco,

    Abração!

    Como já disse, admiro quem luta pela vida. Mas admiro de igual forma, quem não encontra sentido nela e decide renunciar a ela.
    Eu não sou você, você não é nenhum deles. Você tem um grande amor pela vida, assim como eu tenho.
    Mas quem não tem, não é obrigado a continuar vivendo.
    É isso que eu defendo: liberdade.

  • Marlin comentou a entrada "Gêmeos surdos belgas morrem por eutanásia após perderem visão" à 7 anos 4 meses atrás

    Olá

    Um grande abraço

    Marlin

    Sei que tens em casa um belíssimo exemplo de como se deve encarar esta situação, nosso querido Marco Poeta.
    Mas o que quero dizer aqui é que cada indivíduo sabe melhor que qualquer outro onde lhe dói.
    Se eles sentiam que o fim da visão, somado ao fim da audição já ocorrido antes lhes minou o sentido da vida, se para eles era o fim, não cabe a qualquer pessoa tentar sentir por eles.
    Podemos pensar por qualquer pessoa, mas só sentimos por nós mesmos, pois cada pessoa é um mundo, embora haja ligação entre esses mundos.
    A vida, como escolha, é algo absolutamente individual.

  • Marlin comentou a entrada "Gêmeos surdos belgas morrem por eutanásia após perderem visão" à 7 anos 4 meses atrás

    Eu, como profundo defensor do direito à vida e à morte, aplaudo a atitude destes seres.
    Quero deixar claro que não pretendo dizer com isso que todos que se encontram em situação igual devam fazer o mesmo, mas que todos quantos queiram tenham seu direito respeitado.

  • Marlin comentou a entrada "Roberto W Nogueira Fala sobre as Cotas" à 7 anos 6 meses atrás

    Caro Francisco, em primeiro lugar, não me reservaram o curso de filosofia: eu o escolhi entre muitos, habdicando inclusive de um curso de jornalismo na Universidade Federal, depois de pensar que não estaria satisfeito, a final, fui arrebatado pela filosofia. Se não escolhi um curso relativo às ciências exatas, foi porque realmente não tenho interesse, pois apesar de algumas vezes a interdisciplinaridade os cruzar, tenho muito mais facínio pelos assuntos ligados à vida social, aquela que ao contrário da natureza, é construida por nós.
    Para falar mais um pouco de mim: Em segundo lugar, eu poderia estar me vitmizando, afirmando que não tive igualdade de condições para lutar por qualquer outro curso que eu quisesse, mas... pombas,não foi isso que aconteceu! O que houve foi que eu, por volta do fim de meu ensino fundamental, deixei-me influenciar por pessoas que não estavam dispostas a estudar, ao contrário de outras que mesmo dadas as condições precárias da educação, se desdobravam em esforços para estarem preparadas ao fim do ensino básico. Nesse tempo, eu realmente ignorava as aulas, dando imensamente mais atenção às conversas paralelas.
    Aqui um parêntese: sei que os motivos que levam um aluno a desinteressar-se pelos estudos não são só seus, pois o contexto histórico possui grande importância nesse sentido, bem como a própria forma de ensinar que está sendo empregada, a metodologia. Por isso é que eu falo dos governantes. Creio que os professores não decidem sozinhos sobre que metodologia será aplicada em sala. Estou errado?
    Mas eu perdi tempo de tal forma, que inúmeras vezes tive de ficar em recuperação no fim do ano.
    Acredito que esse discurso de igualdade de condições, embora tenha seu fundo de verdade, a educação recebida, não cabe tanto como caberia a algum tempo atrás, porque hoje a tecnologia está nas mãos de quase todos, e tecnologia é informação, cultura, etc.
    Voltando à minha história: depois de ter terminado meu ensino médio, resolvi estudar de verdade. Foi quando reuni materiais, quer digitalizados, quer em livros impressos em braille, e passei cerca de um ano estudando diária e rigorosamente.
    Quando prestei vestibular, no fim de 2005, obtive pontuação que seria suficiente para passar em cursos bem mais concorridos que a filosofia.
    Não quero dizer com isso, que o que aconteceu comigo tem de se aplicar a todos, mas acredito que as barreiras educacionais, apesar de difíceis, não são intransponíveis.
    Quanto às estatísticas, quando dou uma informação desta natureza, cabe a mim o honus de saber de onde ela vem. Portanto, dizer algo e não dizer porque diz é como não dizer nada.
    Assim como para falar contra as cotas é necessário estudá-la, para falar a favor destas, é igualmente preciso um estudo sério e honesto, para não se apoiar somente em sentimentos e conjecturas.
    Eu realmente acredito que tanto a educação básica brasileira como o sistema de aprovação nas universidades necessita de grandes reformas, mas as cotas, a meu ver, não estão entre elas. E reitero que também não farei uso delas, pois assim, sinceramente, terei a cabeça bem mais erguida.
    Quanto ao preconceito, só mais um detalhe: acredito que algo que tem muita importância, é não apenas as coisas em si próprias, mas o porquê delas. É óbvio que jamais permitiria que alguém que não tem qualquer intimidade comigo me chamasse de ceguinho ou algo que o valha. Mas em meu trabalho, quando cursava minha faculdade, meu curso de Inglês, jamais vi qualquer problema em ser chamado assim, pois assim como sou cego por acaso, também sou Marlin por acaso. Não tenho qualquer complexo de inferioridade por sê-lo, pelo que isto não me afeta.
    Quando, e se, houver uma educação de qualidade para todos, independentemente de estudarem em escolas públicas ou privadas, poderemos falar em igualdade de condições, coisa que para mim, não será proporcionada pelas cotas.

  • Marlin comentou a entrada "Roberto W Nogueira Fala sobre as Cotas" à 7 anos 6 meses atrás

    Francisco, em primeiro lugar, que bom ter de responder a alguém que se coloca tão bem.
    Agora vamos ao que penso:
    Só para esclarecer melhor, se perceberes dentro de como me descrevi, eu sou oriundo do interior do estado do Ceará, filho de pai e mãe semi-analfabetos, mas migrei para Fortaleza ainda criança. Meus pais continuaram sendo pobres, morando numa casa modesta, sendo ele operário e ela dona de casa. Somando-se isto à minha deficiência visual total, creio que nem é preciso dizer que eu hoje poderia ser um pedinte ou simplesmente um apozentado. Estudei a vida toda em escola pública, mas tenho certeza de que se não possuo mais conhecimentos em ciências exatas, por exemplo, foi porque não me dediquei suficientemente a elas, pois sempre apreciei as ciências humanas, mas também porque inúmeras vezes, simplesmente negligenciei meus estudos em geral. Se cursei filosofia ao invés de outro curso detentor de maior status, foi porque eu me apaixonei por ela e a escolhi.
    Quanto à questão das estatísticas, eu acreditarei nela se me apresentares dados, algo mais plausível, pois infelizmente não acredito que apenas 1% da população que adentra às universidades seja rica e branca. Não consigo ver isto senão como discurso de negro que tem preconceito consigo próprio, que nem mesmo aceita ser chamado de neguinho, ou de governos paternalistas, que alimentam sua popularidade a custa da distribuição de peixes, quando na verdade, o que lhe cumpriria fazer seria dar um bom material de pesca. note que ao dizer isto eu não me refiro somente às cotas, mas a outros benefícios que em minha opinião são injustos. Outra afirmação sobre a qual eu também gostaria de obter dados, é sobre a paridade entre alunos oriúndos das cotas e os _ricos e brancos_
    Acredito que deves ser professor, e como tal, deves saber que grande quantidade dos doscentes de ensino público, também leciona na educação privada. Então eu pergunto: o que as difere?
    Eu mesmo responderei: metodologia; estímulos; tenho absoluta certeza de que se nossos governantes quisessem, teríamos uma educação pública de qualidade, como já tivemos um dia.
    Outra coisa: quando você fala em incompetência, não é a mesma coisa a que me refiro, pois o que eu menciono chama-se despreparo, o que em minha opinião não é o mesmo que incompetência.
    Eu posso ter competência (capacidade) suficiente para entrar numa universidade, mas não estar preparado para tal, por não ter recebido uma educação de qualidade. Infelizmente, temos uma educação lamentável, e eu posso dizê-lo com conhecimento de causa, pois estudei do 5º ano do ensino fundamental até o fim do ensino médio em escolas públicas.
    Quando estudava, há não muito tempo, cerca de 10 anos, via chegar ao fim do ensino fundamental alunos que sequer sabiam bem as 4 operações básicas da matemática, que liam tropeçando nas palavras, etc., e isso não era uma exceção.
    É esse tipo de aluno que queres ver em nossas universidades? Eu não!

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