Está aqui

Comentários efectuados por Luís Medina

  • Luís Medina comentou a entrada "Apagar programas da lista Adicionar/Remover Programas" à 9 anos 2 meses atrás

    Sim, o Regedit é um programa, mas não necessita fazer o download porque ele já vém com o Windows. Se não aparece em seus menus, é apenas porque os desenvolvedores procuraram escondê-lo do usuário comum. O Regedit é o editor do registro do Windows. Lá estão armazenadas configurações essenciais ao funcionamento do sistema operacional e dos aplicativos que rodam sobre ele. Alterações indevidas no registro do Windows podem ter efeitos avassaladores e se uma cópia do registro não tiver sido feita, é possível que o sistema operacional tenha de ser reinstalado. De fato, recomenda-se que somente usuários muito experientes ou que tenham grande certeza do que estarão a fazer, lá entrem. O programa não é intuitivo e nada se entende sem grande pesquisa do significado das configurações que lá estão contidas. Para entrar no Regedit, basta ir a Iniciar, executar, digite "regedit" sem as aspas e lá estará ele, mas atenção, ele nem mesmo pede confirmação para as alterações que faz, este local é perigoso mesmo.

  • Luís Medina comentou a entrada "o amor impossível " à 9 anos 2 meses atrás

    Leonardo,
    Se você nos ouve e se dispõe a pensar sobre o assunto, revendo seus pontos de vista, então, de fato, vejo que estou diante de pessoa de valor. Se fui enfático é porque não desejo que veja a vida assim tão tristemente. Creio mesmo que o seu futuro está ligado ao modo como lida com sua cegueira. Se ela é entrave para tudo, então, há pouca vontade de mudança. Se ela é apenas uma mureta na fortaleza da vida, então, você estará disposto a mudar o que não lhe convém. E se você é capaz de reconhecer o seu erro, então, tanmbém é capaz de mudar o modo como lida com sua cegueira. Não seja demasiadamente rigoroso consigo. Errei milhares de vezes, adotei concepções absurdas e, em algum momento, reconheci-as absurdas. O que talvez lhe falte é tomar mais contato com a experiência de cegos que já passaram por estas situações e encontraram o bom caminho. Um dia, encontrei um cego que sonhava em ter uma namorada vidente. Ele desejava desesperadamente provar a capacidade, a dignidade das pessoas cegas e, em sua concepção, o modo de fazê-lo era relacionar-se com uma mulher vidente. "Ah! Devo servir para alguma coisa, afinal, mesmo uma mulher que enxerga gosta de mim!"
    É claro que não estou a afirmar que este seja o seu caso. E se fosse, apenas significaria que você está errado agora, mas que tem uma vida inteira para mudar sua perspectiva e suas atitudes. De fato, tem a vida inteira, mas sofrerá bem menos se, nesta tarefa, utilizar apenas uma pequena fração! Não se preocupe em estar certo o tempo inteiro. A vida é assim mesmo. Quem põe à prova suas idéias, mais rapidamente descobre se elas são boas ou não.
    Então, acha que já não pensei como você? Sim senhor! Era muito pouco independente e concluí que todos o eram. Se brincar, ao falar deste colega cego, talvez esteja a falar de mim mesmo. Mas estava errado e tinha suficiente humildade para reconhecê-lo. Leonardo, freqüentemente nós cegos estamos a diminuirmos. Nem sempre é fácil crescer em um mundo em que todos enxergam porque tendemos a superestimar o papel da visão em nossas vidas. Isto foi verdade para mim, talvez seja para você e estou certo de que também foi ou é para muita gente que lê o seu blog.
    Veja que não estou a defender um ponto de vista ingênuo. É claro que a cegueira interfere profundamente na vida de qualquer um. Apenas estou a dizer que esta interferência não tem de ser necessariamente destrutiva. Você já reparou nas entrevistas do jogadores de futebol quando são derrotados? A culpa é sempre do juiz indepenentemente do que se tenha passado na partida. Digo-lhe que muitos de nós, em diversos momentos, fazemos o mesmo em relação à cegueira. Se não arranjamos emprego, então, é porque somos cegos, apesar de muitas vezes não estarmos verdadeiramente preparados para a função. Se alguém nos engana, então, é porque somos cegos, apesar de o mesmo se passar com tanta gente conhecida que enxerga. Se alguém de que gostamos nos rejeita, então, é porque somos cegos, mas não a cativamos, não nos mostramos seguros, independentes, sensatos, atenciosos ou moderados.
    Nem sempre é tão simples recusar a muleta que a cegueira nos concede. Não gostamos de ser vilões de nossas próprias vidas e, por isso, quando erramos, é sempre bom depositar a culpa na cegueira, especialmente, porque todos nos acreditarão facilmente. Em alguma medida, creio que todos passamos por estas circunstâncias. Afastar a cegueira como motivo dos infortúnios porque passamos, equivale a dizer que não mais nela nos apoiaremos e, portanto, estamos livres para agir. Ocorre que nem sempre estamos dispostos a agir.
    Se você admitir que a cegueira não é tão restritiva no que tange ao relacionamento com mulheres, em especial, as videntes, então, sabe qual será o próximo passo? Você terá de procurar algum outro motivo. Talvez, o motivo seja simplesmente que não teve muita paciência até agora. Talvez tenha de reconhecer que não teve uma atitude muito positiva perante a vida e, porque esteve sempre a propalar que a cegueira lhe tolhe o crescimento, não conquistou muita admiração. O amor começa pela admiração. E para que haja admiração é preciso que as pessoas não encontrem lamentações ao nosso lado. Estas coisas podem passar-se de forma tão inconsciente que talvez nem mesmo se perceba e, portanto, não se esteja preparado para corrigir.
    Mas não quero aqui estar a falar "talvez" até o fim dos tempos. O fato é que não sei se você se enquadra em algum destes perfis. Não importa. Pode refletir sobre eles. E creia que os colegas responderam de forma vigorosa, não porque lhe tenham negado o direito de expressão, mas porque, como eu, ficaram ansiosos por tirar-lhe esta idéia da cabeça. Pensar assim, já me causou sofreimento e, ora, não desejo que passe pelo mesmo.

  • Luís Medina comentou a entrada "o amor impossível " à 9 anos 2 meses atrás

    Se você pensa assim, então, também achará natural que uma mulher não o queira. Afinal, um homem que não cozinha, não passa, não se arranja com os afazeres da casa e não vê as sujidades nos cantos da parede, em um mundo como hoje, em que as mulheres trabalham e os casais dividem as responsabilidades, de fato, não pode ser uma boa opção, não é mesmo? Não lhe ocorre que um casal cego possa ser independente? Que os cônjuges se amem e não se vejam com outra pessoa?

    Bem, sei que você não se convencerá. Mas o tempo é inimigo das más idéias e, de pouco em pouco, você amadurecerá e verá que incorre em erro. Se, por um segundo, tentasse concordar consigo, não saberia como justificar tantos casais cegos que foram felizes, independentes, limpos, organizados e bem sucedidos.

    Você parece pensar que dois indivíduos cegos se unem apenas porque não têm outra opção, apenas porque foram rejeitados por pessoas que enxergam. Se isso fosse verdade, então, porque criticar a mulher vidente? Se não enxergar é algo tão ruim e você não enxerga, então, não é digno de ser escolhido. Bem, é claro que isso não é verdade. Você é digno, muito digno, mas não compreende que quando se está a procurar uma mulher com quem dividirá o teto, as angústias, os triunfos, as responsabilidades, os filhos, tomar a visão como parâmetro de escolha, ainda que não seja o único, é temerário.

    E afinal, por que afirma com tanta certeza que a mulher de quem falou, o rejeitou por ser cego? É claro que esta é mesmo uma hipótese possível. Isto não se nega. Mas é que realmente pode haver outros motivos, inclusive o fato de que você dá um valor tão grande à visão que já não é possível saber por quem realmente está apaixonado, se pelos encantos da mulher, ou se por seu par de olhos sãos.

    E não acha que se excedeu um pouquinho? Bem, cada um pode pensar como bem lhe apetece, ainda que suas teses não encontrem nenhuma sustentação. Mas daí a estar a aconselhar pessoas que sigam o mesmo caminho, como se fosse questão perfeitamente assentada pelos melhores princípios científicos, bem..., não acha que issoé um tanto descortês com a infinidade de casais cegos que lhe negam a tese? Meu amigo, não esteja por aí a dar este tipo de conselho. Cada um tem o seu próprio caminho e, se suceder que se case com uma mulher vidente, que o faça porque a ama e não porque vê. Lendo sua mensagem, encontrei apenas sinceridade e a vontade de expressar aquilo em que acredita, mas creia, este não é um bom conselho.

    Lembre-se: por vezes, não encontramos algo simplesmente porque estamos a procurar a coisa errada. O amor é possível sim, desde que realmente estejamos a falar de amor.

  • Luís Medina comentou a entrada "Brasil - Projeto de Lei classifica cegos de um olho como deficientes visuais" à 9 anos 3 meses atrás

    Fiquei a ponderar: monoculares são mesmo deficientes? Lendo os depoimentos, encontramos frases do tipo: "Faço tudo normalmente". Quem ouve esta frase, tende a considerar: "Bem, se fazem tudo normalmente, então não são deficientes".
    Mas aí vem-nos a pergunta: será que a definição de deficiente nos remete àquele que é dependente, não podendo fazer tudo por sua conta? Note-se que, se a definição de deficiência fosse essa, talvez tivéssemos dificuldades de contratar deficientes dos dois olhos, afinal, se são assim tão dependentes, talvez não sejam produtivos no trabalho.

    Pensemos em uma hipótese limite. Suponhamos que o preconceito não existisse e que cegos facilmente conseguissem seus empregos. Alguém pensaria nesta lei? Ora, ora, mas por que proteger quem não precisa de proteção?
    Bem, então, o fato de serem considerados legalmente deficientes tem menos que ver com o número de coisas que conseguem fazer e mais com a dificuldade de arranjar emprego. É mais ou menos assim: "Você tem dificuldade de começar porque o mercado não dá valor a suas capacidades. Mas, eu, governo, reconheço que estas capacidades existem, sendo portanto, meu papel dar-lhe uma oportunidade para que consiga começar a caminhar e, começando, siga a caminhar com as próprias pernas".

    Sob esta perspectiva, se encontro monoculares que fazem de tudo, mas não arranjam emprego, então, concluo que estão em desvantagem e, portanto, devem ser protegidos.
    O fato mais relevante, em minha opinião, não é o de monoculares e bioculares não conseguirem fazer determinadas coisas. Há tanta gente que, não tendo deficiência alguma, por não serem competentes, inseguras ou, por qualquer outro motivo, também não conseguem fazer coisas e nem por isso, são consideradas deficientes. Para a lei que protege os deficientes bioculares, o que penso importar é o fato de que não facilmente arranjam empregos e, como o mesmo efeito se verifica em relação aos monoculares, creio que também eles devem ser considerados deficientes.

    A despeito de considerar que o Estado deve preocupar-se com o bem-estar de todos os cidadãos, não penso que, para a classificação como deficiente, importe a quantidade de sofrimento que este experimenta na vida. Do contrário, consideraríamos deficientes viúvos recentes ou, então, pessoas deprimidas. Todo aquele que sofre deve receber sua atenção. Mas disso não decorre que sejam deficientes. O que é de fato determinante para esta condição, é de fato, a empregabilidade originada por alguma redução na acuidade física.

    O que ocorre é que a sociedade precisa proteger aqueles por quem se tem piedade. Ora, é mais fácil ter piedade de quem estar a bater a bengala para todo o canto do que daquele que está a caminhar e como pessoa sã. Mas o fato é que independentemente da maior ou menor sensibilização que isso provoque aos olhos da sociedade, o fato, para mim, indiscutível, é que há um dano que precisa ser reparado.
    Não me proponho a resolver a questão pela aritmética, do contrário, tenderia a considerar deficiente todo aquele que enxergasse apenas 99%. O percentual que se enxerga, penso, é menos importante para determinar se um indivíduo é ou não deficiente do que o é o impacto que tal exerce sobre sua empregabilidade.

    Então, se me perguntassem: "Monoculares são deficientes?" Responderia: "Para que fim?" Não queiramos que todas as coisas tenham uma definição simples e inequívoca. Se estamos a falar de empregabilidade, sim, monoculares são deficientes. Mas a depender do que se fala, talvez não sejam. Por isso, não vejo nenhuma incoerência quando se diz: "Sou deficiente, mas faço realmente de tudo".

    Acho abominável o procedimento que verifiquei em muitos cegos de utilizarem a lei para alcançar o emprego e, tendo conseguido, não se preocuparem minimamente com produtividade. Penso mesmo que isso depõe contra as lutas verdadeiras . Ficam a pensar que é mais um recurso para que pessoas cegas se apóiem num porto seguro e, em vida, descansem em paz. Contudo, isso nada tem que ver com a legitimidade das lutas verdadeiras. Monoculares são deficientes e se não fossem não teríamos tantas histórias de situações positivas que não se confirmaram por insuficiência da visão.

  • Luís Medina comentou a entrada "A Complexidade dos Sentimentos" à 9 anos 3 meses atrás

    Ah! Isto me deixa muito feliz! Em outro momento, li um texto seu a relatar as dificuldades com os colegas arredios do secundário. E então, a Terra gira mesmo e vejam só em que natureza de problemas encontro a Sofia! Agora, os colegas são arredios de menos e, acostumada com a distância, a Sofia fica preocupada de não estar a compreender precisamente o que sucede.

    Bem, é claro que isso é natural. Tendo por algum tempo experimentado exatamente o oposto, desenvolvemos mesmo um certo medo de ser felizes, medo de que o encanto se quebre e que as coisas voltem a ser como eram. Não é um medo consciente. Você sabe que as coisas são irreversíveis. Você é humana. Por isso, não me admiraria que em algum momento, quando os colegas não lhe davam atenção, você se perguntasse: "Será que há algo de errado comigo? Será que a cegueira é realmente barreira assim tão grande? Será que as pessoas não se gostam por motivos independentes da acuidade visual dos indivíduos? Quando você ponderava logicamente, sem dúvida, devia concluir: "Oh! É claro que não há nada errado. Tenho um bando de colegas estúpidos que, apesar dos olhos sãos, não vêem um centímetro diante do nariz". Contudo, depois de algum tempo, começamos a duvidar.
    E, de repente, tudo muda de uma só vez. É certo que nos acostumamos facilmente ao que é melhor, mas ainda assim, não conseguimos abandonar nossas convicções, nossas reflexões como se faz a um casaco. Por isso, procuramos algo com que nos preocupar. Apesar de muito pior, a situação anterior era conhecida. E note que, neste caso, os riscos parecem maiores. Porque seus colegas não a tratavam bem, se qualquer coisa sucedesse para magoá-los, não seria algo com que se preocuparia excessivamente. Eles não eram importantes para você. Agora, as coisas são diferentes. Os colegas são acolhedores, amorosos e, por isso, você se preocupa que eles estejam bem e, de modo algum, gostaria de magoá-los, incomodá-los ou causar-lhes qualquer desconforto. Por isso, preocupa-se em saber se sua avaliação está mesmo correta.
    Sim, creio mesmo que a visão facilite os primeiros contatos. Mas quando os contatos já se estendem por algum tempo, fico a pensar que este efeito se dilui razoavelmente. E afinal, tenho visto tanta gente a enganar-se, a avaliar incorretamente os sentimentos alheios, que não posso pôr tanta fé neste instrumento.

    Mas seja qual for o desenrolar dos fatos, estou persuadido de que se dará bem. E não é uma crença gratuita. Vejo-a como alguém que passa por uma circunstância nova pela primeira vez e hesita quanto ao passo que deve dar. Todavia, não me parece que você seja insegura. Então, vejamos. Você tem a coragem de abrir o coração para falar a tanta gente o que lhe angustia. Não diminua o fato. Para isso, ainda que utilizasse um nome de fantasia é preciso alguma coragem. No entanto, há uma coragem maior. Você não foge às perguntas. Em algum momento, pode mesmo chegar À conclusão que a visão a limita neste ou naquele aspecto da vida. E quando descobrirmos que a cegueira não nos limita, imediatamente pomo-nos a responsabilidade de seguir, de não esmorecer e impede-nos de colocar a culpa no destino. Bem sabe você que o destino é um belo repositório para as culpas. É terrível reconhecer que não fomos suficientemente capazes porque não tentamos. Quem não tem coragem, procura não fazer o tipo de pergunta que você faz. Se algo der errado, pode-se continuar com a consciência limpa.

    E exatamente por todos estes motivos, você deve ser pessoa admirável. E as pessoas admiráveis são mais queridas. E as pessoas queridas chamam-nos para perto. E estando perto, é possível que se descubram sentimentos que são mais do que amizade.

    Há situações em que não temos dúvidas. Quando alguém se põe a falar com uma voz melosa, cantada como quem fala a um nenê, é claro que sabemos que ela não nos considera crescidos, não nos admira e, portanto, se nos ajuda é porque tem bom coração com os necessitados. Certa vez, encontrei alguém que me viu a amarrar os cadarços do sapato e, para as duas pessoas que estavam de pé ao seu lado, ficou a falar sobre o modo brilhante, incomum, extraordinário, esplêndido como amarrava meus cadarços. Bem, estava simplesmente amarrá-los e se isso chamou tanta a atenção é porque provavelmente esta pessoa queria elogiar-me, pôr-me alto e, vendo que era apenas um pobre cego, não viu outro modo de fazê-lo. Para mim, é evidente que me considerava um coitado.

    Mas se alguém queria sempre estar perto, então, já não poderia ser simplesmente por educação, por caridade, por atenção às necessidades do próximo. Suportamos o papel de bom menino apenas se isso não nos rouba muito tempo. Portanto, se estão sempre por perto é porque gostam de si. Bom, mas isso você já sabe! Sua dúvida é: gostam como? Ah! É claro que não tenho resposta para esta pergunta. De qualquer modo, ocorre-me outra coisa. Seus colegas têm algum constrangimento em discordar de você? Se sim, é muito bom sinal. Consideram-na adulta e, principalmente, consideram-na igual que pode bem absorver o impacto de ser contrariada.

    Se houvesse uma fórmula para estas coisas, a vida não seria tão emocionante. Curta o momento. Mas lembre-se que o fato de enxergarem não dá às outras pessoas toda a prerrogativa da ação. Poderiam estar a pensar: "Bem, a Sofia é cega. Será que ela não prefere um outro rapaz cego? Tanta gente ajuda a Sofia. Ela tem mesmo de ser simpática com todo mundo. Talvez ela dependa disso. Então, é bastante normal que esteja a ser simpática. Não quer dizer nada. É pena, mas ela não deve gostar de mim. E será que por ser cega, não teria de abordá-la de outro modo? Ela não verá o movimento dos meus olhos. Bom, talvez tenha de ser mais caloroso na voz. Ah! É isso! Mas isso não é muito sutil. Se começar a falar diferentemente do modo como falei até hoje, ela vai estranhar-me e talvez pergunte se estou bem".

    O que quero dizer com isso é que, sim, muito bem, curta o momento, mas se de fato estiver a gostar de alguém, em algum tempo, pode não ser agora, terá de expor-se. A vida é assim mesmo. Crescemos principalmente quando nos deparamos com aquilo que não desejamos fazer. A alegria é um sentimento extraordinário, mas, em geral, pouco produtivo. As grandes mudanças, engendramos senão por tristeza, mas pelo menos porque estivemos inquietos, incomodados e algo nos pressionou em direção à mudança. Se você estiver a gostar de alguém, com a mesma coragem com que se faz estas perguntas, prepare-se para expor-se, para caminhar na direção de seus desejos. O importante é que está a trlhar um bom caminho.

  • Luís Medina comentou a entrada "Informática para DV" à 9 anos 4 meses atrás

    De fato, há muita página com acessibilidade reduzida. Mas entre as inacessíveis, flagrante e acintosamente inacessíveis, encontram-se aquelas que exigem a digitação de caracteres de uma imagem. Há algum tempo,, encontrei um gestor online de tarefas. Parecia muito bom, mas exigia a digitação de uma imagem. Minha primeira reação foi enviar uma mensagem para alertá-los do problema, mas para enviar a mensagem, também era necessário digitar caracteres de uma imagem!

    A propósito. Tenho buscado uma opção online para calendário, gestor de tarefas.. Gmail, Yahoo e Hotmail possuem boas opções de agenda. Contudo, somente os dois últimos fornecem boa acessibilidade.
    A página do correio eletrônico do Google é muito boa porque carrega o modo HTML básico. Mas e quanto aos demais serviços: os amigos tem conseguido utilizar a Agenda, o Reader, o Google Docs sem qualquer dificuldade?

  • Luís Medina comentou a entrada "Namoro entre cegos e entre um cego e um normovisual: Quais as diferenças?" à 9 anos 5 meses atrás

    Sim, é certo que há. Viver na cidade ou na província, ser rico ou ser pobre, ser bonito ou feio, ser devoto ou ateu, tudo isso faz diferença na vida de um indivíduo. Em virtude das diferenças de experiências e percepções, as vidas de cada um de nós serão diferentes. No que me preocupo é diferenciar o que precisamente é motivado pela cegueira e o que não o é.

    Quando o Sérgio disse que os maiores responsáveis por nosso sucesso somos nós mesmos, de certo, não estava a espalhar aos quatro cantos a doutrina extremista do "Querer é poder". Não. Querer infelizmente não é poder, mas não querer é não poder. E por isso, somos mesmo responsáveis pelos nossos sucessos, afinal, se não temos pleno poder para autoconceder-nos a vitóriaa, de certo, temos os meios para nos inflingir a mais pesada derrota.

    ocorre que se vinculamos um determinado insucesso ou dificuldade à cegueira e se esta é irreversível, então, não há porque querer e, não querendo, não podemos o que quer que seja. Por isso, preocupo-me que, da conta da cegueira, sejam debitados apenas os motivos que lhes são pertinentes, do contrário, estaremos a nos sabotar o caminho.

    Há cegos a passar fome, a serem agredidos, humilhados, a viver vidas indignas à condição humana. Mas lembremo-nos de que há bilhões de seres humanos normovisuais a viverem as mesmas condições. Não queiramos encontrar para o nosso sofrimento um status novo, mais grave, mais irreversível. Por vezes, tenho encontrado gente que acredita em seu futuro, mas vê uma distância tão grande entre a ação de hoje e o sucesso de amanhã, que prefere não lutar e, assim, fica a buscar explicações para demonstrar que sua cegueira é fardo maior do que realmente é. E se todas estas dificuldades fazem-nos menor diante de normovisuais de que gostamos, então, à cegueira talvez caiba culpa menor.

    Não quero estar a falar coisas que pareçam contrárias à experiência. As dificuldades existem e são muitas. Exatamente por isso, compete-nos não torná-las maiores.

  • Luís Medina comentou a entrada "Namoro entre cegos e entre um cego e um normovisual: Quais as diferenças?" à 9 anos 5 meses atrás

    Sidarta,

    Não ponho em questão o fato de que muitos cegos desenvolveram capacidades extraordinárias e que estas tiveram ligação direta com suas respectivas deficiências. Foram estas supercapacidades de cegos que me precederam no mercado de trabalho a tornar o meu caminho mais fácil. E pelo fato de estas pessoas me deixarem conhecer os seus talentos, é que me senti capaz de imitá-las, segui-las e tentar algo para minha vida. Então, o que desejo é que cada um expresse o seu talento e faça mais fácil o caminho de outros. Observei o caráter, a força de espírito, a forma com que os mestres da classe lidaram com suas cegueiras. Olhar para o outro é excelente meio para melhorar-se.

    Estes bons talentos que têm suas autoestimas bem tratadas, não merecem nossa preocupação. Em minha mensagem anterior, falava de outra ordem de fatos. Há gente que supervaloriza as capacidades do cegos com o intuito de tentar ofuscar alguma limitação que julgam intransponível. São os incoformados que verdadeiramente não acreditam no cego e ficam a criar a idéia de que cegos são um grupo uniformemente dotado de capacidades extraordinárias, conseqüências biológicas de uma compensação à cegueira. Há fatos que são verdadeiros, mas são exagerados a um ponto inaceitável. Ouvi gente a falar que cegos, porque mais sofridos, amadureciam com rapidez e tornavam-se pessoas mais preparadas; que a ausência da visão fazia-os olhar para dentro, sendo espiritualmente mais avançados, sem preconceitos, preparados para descartar as futilidades da vida. É muito provável que a cegueira tenha resultado em algo assim para algumas pessoas, mas não creio que isto seja verdadeiro para a décima parte dos cegos. Por isso, falei em "supervalorização". Caso muito diferente é aqueles em que encotramos cegos notavelmente bem sucedidos na escola, na família, no trabalho, na vida. Se estes estão a falar dos próprios méritos, sem dúvida, estão a dar-nos a oportunidade de compreender-lhes o método.
    O que realmente temo é a generalização. Quando supervalorizamos os efeitos benéficos da cegueira ou quando fazemos o contrário, invocando argumentos generalizantes, estamos a fazer supor que cegos são um grupo tão uniforme que tudo quanto esteja a valer para um, valerá também para o outro.

    E como disse, conheci gente que, no afã de mostrar-se infinitamente capaz, negava-se a oportunidade de relacionar-se com pessoas cegas já que, neste caso, em sua concepção absurda, estaria provado que não foi capaz de mostrar os supertalentos que tanto prezava em propalar.

    Não estou a sugerir que estejamos a esconder os nossos tesouros. Há sempre receio de que nos mostremos bons em algo e sejamos tomados por presunçosos. Ora, ora, não há mal nenhum em gostar de si próprio. Ao contrário, isto é uma dádiva. E além do mais, mostrar-se extremamente humilde quando se sabe realizador de um grande feito, não é mais do que pronunciar uma mentira socialmente aceita, mas ainda assim, uma mentira. O que não podemos é estar a propagar toda sorte de sentenças generalizantes que apenas contribuem para que os outros olhem para nós mais como membros de uma classe do que indivíduos.

  • Luís Medina comentou a entrada "Namoro entre cegos e entre um cego e um normovisual: Quais as diferenças?" à 9 anos 5 meses atrás

    Caro anônimo,
    Não sei se entendi o seu ponto de vista. Sua tese é: “Dois cegos são mais independentes em suas atividades diárias do que o seriam se um dos cônjuges tivesse visão normal”. Invoca dois argumentos: o primeiro é que cegos tornam-se mais acomodados devido à visão do parceiro. O segundo é que o cônjuge vidente não confia em suas capacidades. Pergunto-me: isto é verdadeiro? Ora, depende de que casal estejamos a falar.
    Se corretamente entendi, o que discordou a L. Dias é que você expôs o fato como verdade para todos os seres da Terra. Se o cego apóia-se efetivamente no fato de seu cônjuge ter visão, então, é claro que se tornará menos independente. Mas isto decorre de sua falta de visão ou de sua falta de atitude? Neste caso, teria de dar razão ao cônjuge vidente: por que confiar no cego se ele próprio renuncia à liberdade de ação?
    E se fosse verdade que tal sucedesse devido à falta de visão, então, deveríamos não verificar o mesmo fenômeno em outros casais em que ambos enxergassem. Mas o que vemos é que, em muitos casais, há um que se apóia excessivamente na capacidade do outro em fazer algo para que não se julga capaz. E se não falamos em “excessos”, então, não se trata de muleta, mas de amor. Afinal, se tanto queremos alguém que nos complete, qual a razão de estarmos completos o tempo inteiro? Tenho conhecido cegos que, ansiosos por mostrar-se independentes, tem-se tornado desagradáveis porque levam tão a sério o seu propósito, que já não podem aceitar ajuda de quem quer que seja. E assim, passam a imagem de terem narizes empinados, de não quererem o contato com o outro, de considerar-se bons o bastante para fazer tudo. A autonomia é magnífica, mas como tudo, na dose certa.
    Então luís: se, no passado, você tivesse se deparado com duas mulheres. A primeira, sua esposa; a segunda, outra que, em absolutamente todas as características, fosse a ela idêntica, quem você escolheria? Em outras palavras, se o único fator de diferenciação fosse a visão, quem você escolheria? Em primeiro lugar, digo que esta escolha é absurda e, se me deparasse com situação assim bizarra, mais provável é que, tomado pelo espanto do fenômeno, não escolhesse nenhuma delas e fugisse a galope. Mas se as coisas são-me assim postas, então, pois bem: escolheria a normovisual. Por quê? Porque assim posta a decisão é mais ou menos como comprar um automóvel: bem, este tem ar condicionado, este não tem; este possui reprodutor de MP3, este não possui; este tem tração nas quatro rodas, este não possui. Mas se escolher o nosso cônjuge não é como escolher um carro e se não há pessoas rigorosamente iguais, então, por que estarmos a falar que este modelo de relacionamento é melhor do que o outro se, nos relacionamentos reais, as pessoas não se repetem, as atitudes não se repetem, as vontades não se repetem na mesma intensidade, duração e direção? Se considerasse que a cegueira é a maior de todas as bênçãos, estaria a fazer campanha para que o benefício fosse estendido ao restante da humanidade. Mas o que lhe digo é que se este for o elemento de decisão, algo de muito errado está a suceder.
    Não estejamos a falar que cegos são assim ou de outro modo. A única coisa que consigo afirmar para a generalidade dos cegos é que não enxergam. Tudo mais é inconstante. Haverá gente de toda sorte e, por isso, capaz de ter toda espécie de autonomia ou dependência. Nenhum insucesso particular infirma a proposição de que a autonomia, do modo como foi aqui exposta, depende menos da visão e mais da atitude. Mesmo que constássemos que a maioria não é autônoma, penso que a afirmação prosseguiria válida. Afinal, segue a depender de cada um a atitude para construir o seu próprio caminho mais autônomo ou menos autônomo.
    Cegos são pessoas como outras quaisquer. Contudo, tenho ouvido gente insegura que, considerando-se diminuídos pela cegueira, procuram ressaltar as supercapacidades das pessoas cegas como a pôr um peso adicional no outro prato da balança. Então, ficam a dizer que cegos são mais sensíveis, ou mais inteligentes.. Confesso que sua frase soou-me como se estivesse a tentar demonstrar qualquer superioridade dos cegos no que tange a relacionarem-se com outros cegos. Mas também isso não é verdade. Não só porque alguns cegos são mais autônomos do que outros e, do mesmo modo, dá-se o “efeito muleta”, mas também porque muitos cegos, tentando demonstrar que são sumamente capazes, querem prová-lo relacionando-se com um normovisual. É algo mais ou menos como um troféu. “Vejam, olhem para mim, apesar de cego, tenho um cônjuge normovisual”. Eis que cegos acabam por rejeitar cônjuges cegos por serem cegos. É extraordinário desejarem mostrar-se capazes, considerando de pouco mérito todos os outros que lhes são iguais. Porque há muitos cegos relacionando-se com outros cegos, segue que a maioria das pessoas entendem que isso é o natural e que, de outro modo, não funcionaria. Mas não se atentam que, entre médicos, engenheiros, músicos, viajantes, boêmios, religiosos ou assassinos, freqüentemente há cônjuges da mesma classe? Ora, cegos estão a todo o momento freqüentando as mesmas atividades. Não é natural que a proximidade os una? E de novo, chegamos ao mesmo ponto. Cegos unem-se a cegos não porque se tornam mais ou menos autônomos, mas porque se conheceram e, assim, gostaram-se. Se este não foi o caso, então, não falamos de relacionamentos sadios.
    A propósito, agradeço aos colegas pelas demonstrações de apreço e parabenizo a Sofia pelo tema extraodinário que escolheu.

  • Luís Medina comentou a entrada "Namoro entre cegos e entre um cego e um normovisual: Quais as diferenças?" à 9 anos 5 meses atrás

    O único problema deste tipo de afirmação é que não resiste aos fatos. E quanto à minha esposa? É bonita? Sim, loira, pequenina, olhos muito azuis e, para que sejamos isentos, tal era evidente pelo interesse que despertava em toda a parte. É inteligente? Dois bacharelados, uma especialização e uma vida repleta de cargos de chefia. Entre seus projetos, viagens, encontrou-me. E por acaso, ter-me-ia conhecido cego? Inteiramente. E por que alguém assim se interessa por um cego? Por que, além de cego, tenho diversas outras características que lhe agradaram porque, afinal, não me resumo a dois olhos inoperantes.

    Conhecemo-nos num evento. Trocamos telefones e, em dois meses, namorávamos. Naquele tempo, ganhava cinco vezes o meu salário, ia a toda parte e se lhe apetecesse ter escolhido outro, tê-lo-ia feito sem qualquer problema. Mas ora, ora, sou trilíngüe, fiz mestrado em uma das mais renomadas universidades do país, falava bem, segundo dizem, sou bonito e, assim, ela considerou-me interessante. Enfim, encontrou alguém que gostava de si mesmo. E então, eu lhes pergunto: o que ela desejaria? Alguém fraco, complexado, melindroso, cabisbaixo, pronto a lamentar que, na grande partilha da vida, foi desfavorecido e que, diante da realidade dura que se impunha, natural era fracassar? Não. Ela não queria ninguém que lamentasse a realidade, mas que se pusesse a mudá-la. Ela queria alguém que a fizesse crescer e, em mim, reconheceu esta pessoa.

    Eu e minha esposa não nos reconhecemos na história que conta. Amamo-nos e a cegueira se quer entrou na pauta de nossos encontros. Lamento verdadeiramente o seu sofrimento, mas não gostaria que o seu desânimo, que a sua constatação verdadeira, mas particular ao seu caso, à sua vida, fosse tomada como regra. Se dissesse que as coisas são simplesmente mais difíceis, bem, aqui teria o primeiro a defender o seu ponto de vista, mas dizer que é sonho, que tal não sucede, bem, é insistir em julgar o mundo pelas quatro paredes que o cercam. Atitude, meu amigo, atitude... Eis o segredo de tudo. Sim, eu sei. Apenas atitude não muda o mundo. Mas o que dizer? Para voar não basta ter asas, mas se não as tiver...

    Digo-lhe tudo isso para que reflita um pouco e se pergunte com sinceridade o que você fez para que as coisas fossem diferentes. Sem que se considere ofendido, permita-me dizer que, pelo pensamento que expressou, parece-me difícil que tenha tido uma atitude positiva diante da cegueira e, como conseqüência natural, pode ter afastado muitas mulheres normovisuais que, enxergando em si alguém que merecesse mais a pena do que o amor, preferiram deixar para outrem a tarefa de cuidar, de amparar... E mesmo que, nas palavras, estejamos a dizer outra coisa, se nas atitudes, não nos afirmamos como pessoas capazes de enfrentar a cegueira como algo que não nos empeça de progredir, não, não somos admirados e, sem admiração, não pode haver amor.

    E digo-lhe mais. Quando começávamos a namorar, estive em apuros, pois uma ex-namorada, também normovisual, inconformada com o fim do relacionamento, armava-me confusões que provocaram o ciúme e a fúria da mulher que, hoje, é minha esposa. Antes de minha esposa, tive outras quatro namoradas normovisuais e se está a dizer que mulheres normovisuais não se interessam por homens cegos, então, há de reconhecer que, por cinco vezes, estive a contrariar a sua tese. Mas o que lhe digo é que já portei-me como coitadinho e, naquele tempo, ninguém, absolutamente ninguém se aproximou de mim. Quando estava a lamentar a má sorte que me impingira o mundo, as únicas mulheres a se aproximarem de mim, eram umas senhoras beatas a conclamarem que se fosse para a Igreja, Deus teria piedade da minha dor. Foi preciso menos do que isso. Bastou que não se apiedasse de mim próprio.

    Então, estou a dizer que a cegueira não impõe nenhuma barreira aos relacionamentos entre cegos e normovisuais? Não. Eu não diria isso. Seria patente falta de realismo. Mas de que forma ela prejudica? Em minha opinião, o problema fundamental concentra-se no início, quando o visual é importante, quando as mãos não se apertaram, mas os olhos já se cruzaram; quando um sorriso, uma mão no cabelo, um sinal, podem decidir se duas pessoas realmente chegarão a se conhecer. Quando ainda nenhuma palavra foi dita, é claro que o fato de um dos interlocutores utilizar uma bengala, faz diferença. Estou convencido de que nenhuma de minhas namoradas idealizou um homem cego. Conecemo-nos, conversamos e, sem que dessem por isso, em algum momento, foram apanhadas pela surpresa de estarem a gostar de um homem cego.

    E quando estamos a falar de relacionamento, falamos de amor? Ou estamos a falar daqueles relacionamentos descartáveis de parceiros que se conhecem, vão para a cama e, a seguir, cospem-se como gomas que já se mascaram. Se estamos a falar dos últimos, então, dada a superficialidade com que se tocam os caminhos, é natural que a cegueira possa empecer. Mas se falamos de pessoas que desejam unir mais do que corpos, então, meu amigo, creio que a cegueira tem seus efeitos atenuados porque, sendo mais profundos os motivos porque se unem, mais tempo se dão para concluir que a cegueira é coisa de pouca importância ou, tal qual sucedeu comigo, mais tempo se tem para não pensar nela e, assim, ignorar o preconceito que é tão mais forte, quanto mais errados sejam os motivos. então, quero respeitosamente dizer-lhe que está errado e a minha história aqui está para prová-lo. E se eu tiver alguma razão no que digo, então, pediria que considerasse os meus argumentos e, refletindo sobre eles, incorporando-os à sua vida, quem sabe, tivesse eu a alegria de vê-lo mais feliz.

Páginas



1 a 10 de 59