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Conteúdos com o tema Deficiência visual

Nesta página pode ver todo o conteúdo do Lerparaver organizado tematicamente.

Ver sem olhar

por Lerparaver

Nota da "LERPARAVER":

Não é habitual a publicação neste site de artigos ou trabalhos feitos por pessoas não ligadas à deficiência visual. No entanto, o que a seguir se mostra é uma excepção, uma excepção honrosa.

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A imagem da classe - um caso real

por Lerparaver

Ana Maria Fontes

Recentemente uma colega de trabalho convidou-me a depor sobre a minha experiência de vida enquanto pessoa cega de nascença para três professoras normovisuais que frequentavam um curso de aprendizagem do sistema braille.

Entusiasmada com o interesse do meu pequeno auditório, esqueci que o tempo não passaria mais devagar para nos ouvir; por isso, quando enfim o estômago nos impôs disciplina, dirigi-me apressadamente para a paragem na esperança de que um atraso providencial me permitisse ainda apanhar o autocarro que eu queria. Mas a providência castigou-me, talvez por eu ter sacrificado ao brio profissional as necessidades da família que me esperava para almoçar.

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Sopro no corpo - vive-se de sonhos

por Lerparaver

Por MAQ - Marco António de Queiróz

Orelha do livro

Marco Antonio de Queiroz descobriu-se diabético aos três anos, sofreu com o fantasma da impotência ainda jovem, ficou cego aos 21 e teve de enfrentar dois transplantes: de rim e pâncreas. Porém, quem espera se debulhar em lágrimas ao ler este livro terá uma decepção (ou, melhor, uma boa surpresa), pois Marco Antonio optou por narrar sua vida da mesma forma que a leva, com bom humor e suavidade. Em momento algum o autor demonstra pieguismo e autocomplacência ou ousa dar lição de moral, mas não há como não tirar uma lição de vida desta sua narrativa simples e direta.

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Algumas considerações a respeito da necessidade de se pesquisar o sistema táctil

por Lerparaver

FRANCISCO JOSÉ DE LIMA E JOSÉ APARECIDO DA SILVA

Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto - USP

Minicurrículo

Francisco J. Lima (M.A.)

"Psicólogo com Licenciatura em Psicologia pela UNESP/Assis

"Mestre em Psicologia (área de Psicofísica Sensorial) pela FFCLRP/USP

"Doutorando em Psicologia (área de Psicofísica Sensorial) pela FFCLRP/USP

"Membro Internacional do TRG (Tactile Research Group)

"Sócio Colaborador da ABEDEV (Associação Brasileira de Educadores de Deficientes Visuais)

e-mails: limafj@usp.br / limafj@uol.com.br

Universidade de São Paulo

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A preeMminência da visão: crença, filosofia, ciência e o cego

por Lerparaver

Francisco José de Lima

Rosângela A. Ferreira Lima

José Aparecido da Silva

Resumo

O presente trabalho apresenta crenças e embasamentos filosóficos que permeiam pesquisas científicas sobre o reconhecimento háptico de configurações bidimensionais, demonstrando que muitas dessas pesquisas vêm corroborar premissas enviesadas provindas dessas crenças. Mostra ainda que actualmente pesquisadores têm se libertado da visão aristotélica sobre a preeminência do sentido da visão, o que tem permitido o surgimento de nova compreensão do sistema háptico e da capacidade desse sistema no reconhecer figuras planas.

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Questão de postura ou de taxonomia?

por Lerparaver

Por Francisco José de Lima

Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto - USP

Resumo
O presente artigo discute algumas posturas correntes, porém muitas vezes despercebidas, no trato de pessoas portadoras de limitação visual. Dá exemplo de pessoas que superaram limites e desempenharam seu mister com eficiência e extraordinariedade. Faz um alerta para o perigo da super protecção às crianças cegas, e da visão de que os cegos têm poderes sobrenaturais. Por fim, propõe mudanças de postura para com as pessoas portadoras de limitação visual, e destas perante si mesmas e o mundo que as cerca, tendo como base a diferença entre limitação e deficiência e a crença na potencialidade e diversidade das pessoas.

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Renascer

por Lerparaver

Por José Adelino Guerra

Sentado numa cadeira de espaldar alto, tamborilava os dedos na parte lateral do couro rijo que formava o assento. O gesto era esquecido, porque o pensamento flutuava por entre sucessivas imagens que eu não conseguia suster. Aquela casa desconhecida, de aspecto austero, intimidava-me.

O anafado recepcionista que abrira a porta, de pois de saber ao que vínhamos, havia apontado com o seu gorducho indicador as rígidas cadeiras e fizera um sussurrado telefonema. Finalmente disse: o senhor doutor manda aguardar.

Aguardámos. Vindos do outro lado do balcão, chegavam até mim os estalidos inconfundíveis das comutações de uma velha central telefónica, que repetidas vezes eram interrompidas pelo som de uma estridente campainha, ao qual respondia sempre a voz timbrada de um homem.

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O último olhar

por Lerparaver

Por José Adelino Guerra

O ruído do motor tornou-se mais nítido e, súbito, o pequeno avião monomotor surgiu num voo rasante sobre os telhados. Por duas ou três vezes traçou círculos apertados e, finalmente, rumou ao Sul, recuperando altitude. Quando o seu único tripulante lançou um último olhar para trás, vendo o casario afastar-se, não podia saber que era a derradeira vez que olhava a sua terra natal.

O avião, de cor prateada, com largas faixas vermelhas na cauda e nas asas, assemelhava-se a uma gigantesca ave de penas coloridas, deslizando tranquilamente ao Sol daquele início de Verão, indiferente à pequenez dos que se arrastavam no solo.

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A escola no contexto da vida

por Lerparaver

Por Elizabet Dias de Sá

A história de minha família é típica da maioria da população brasileira. Meus pais vieram do interior de Minas Gerais para tentar a sorte na capital. Estabeleceram-se como comerciantes na periferia de Belo Horizonte. nossa vida seguia seu curso de acordo com apelos e demandas de sobrevivência. O trabalho sempre foi um dos principais valores cultivados e a escola um ideal acalentado por minha mãe que ousou desafiar a realidade, sonhando garantir para os filhos o que lhe fora negado.

Somos oito irmãos dos quais cinco perderam gradualmente a visão.

Sempre necessitamos de recursos ópticos e outras alternativas quase sempre improvisadas ou inexistentes. Actualmente bengalas, guias humanos, sistema Braille, gravadores, livros falados, ledores e computadores fazem parte da parafernália indispensável em minha vida diária.

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No limiar da cegueira: Cuba e o fantasma da cura

por Lerparaver

Por Elizabet Dias de Sá

Em 1991, uma tirinha de jornal noticiando um novo tratamento de "Retinose Pigmentar" em Cuba, circulou entre alguns interessados. Aos poucos, a notícia ganhou espaços privilegiados na imprensa brasileira. Apesar de ser um tratamento experimental, apesar dos prognósticos sombrios, Cuba tornou-se uma espécie de ilha da fantasia, mesmo para aqueles que parecem não fechar os olhos à realidade. A expectativa de cura invadiu o imaginário das pessoas com o sonho de dar visão aos cegos, preponderando a magia do desejo e o desejo da magia.

"Retinose Pigmentar" é uma enfermidade causadora de cegueira, podendo aparecer em crianças, jovens e adultos. Pode associar-se a outras patologias oculares, apresentando alguns coadjuvantes como estrabismo, nistagmo, fotofobia etc. Não deforma a estética dos olhos, a não ser quando combinada com determinadas patologias como o "glaucoma" por exemplo. Manifesta-se pela perda progressiva e irreversível da visão. Inicialmente, essa perda é lenta, quase imperceptível, observando-se a inibição de actividades nocturnas. Aos poucos, a pessoa afectada não consegue identificar imagens e objectos a uma certa distância, nem letreiros, legendas ou letras miúdas. Traços leves ou minúcias vão se tornando invisíveis. Não percebe uma mão estendida para o cumprimento, aproxima-se da televisão, evita ir ao cinema, cola o nariz nos jornais e livros. Anda pisando em ovos, pisa em falso, esbarrando em tudo e em todos. Quando menos se espera, a visão desaparece completamente. Eis o desfecho de uma enfermidade traiçoeira.

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A cegueira adquirida e a ilusão da cura

por Lerparaver

Elizabet Dias de Sá*

DIANTE DA CATÁSTROFE

"Quero minhas letras, meus olhos... Nada de fazer furinhos no papel (1). O mundo sem visão não tem beleza. Os amigos sumiram... Sem ver, não tem jeito de viver. O cego não pode fazer nada e ninguém pode ajudá-lo".

O Sr X, professor de inglês, ficou cego aos 50 anos, vitimado por uma brincadeira de seus alunos, quando lançavam, ao ar, objetos miúdos e pontiagudos , atingindo-o nos olhos. Após prolongados períodos de licença médica, aposentaram-no por invalidez. Não havia mais lugar para ele na escola, onde diziam que seu habitat natural seria uma instituição para cegos.

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Ser cego

por Lerparaver

Por José Monteiro dos Santos

Ser cego é ser igual?

Mas, igual a quem?

Aos outros cegos, mas, apenas na deficiência porque, noutros aspectos, e falando apenas nos deficientes visuais, há uns mais cegos que outros.

Conheci as duas situações por isso, tenho a certeza que, muito boa gente discorda desta minha opinião.

Fui norma visual até aos 49 anos, ficando cego no espaço de 4 meses, uma realidade que, jamais pensei que, me poderia atingir.

Hoje com 61 anos, após 12 anos de ter que me habituar à nova situação, volto ao princípio e pergunto; sou um cego igual aos outros cegos?

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Os mitos acerca da deficiência visual

por Lerparaver

Muitos de nós, pessoas com deficiência visual, somos por vezes vítimas de atitudes intrusivas, despropositadas e desagradáveis por parte da população em geral.
Estas atitudes revelam um desconhecimento quase total das características da deficiência visual e das suas consequências reais.

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Inclusão social do deficiente visual

por Lerparaver

HOMENAGEM A LOUIS BRAILLE

QUATRO DE JANEIRO DE 2004!

Nesta data, há 195 anos do nascimento deste grande Francês, inventor do alfabeto dos cegos, desejo homenageá-lo, divulgando o texto abaixo.

Trata-se de um documento que pode ser útil ao debate sobre inclusão social.

INCLUSÃO SOCIAL DO DEFICIENTE VISUAL

- QUE HÁ DE MITO E DE REALIDADE? -

Gildo Soares da Silva

Assistente social - CRESS 4ª Região, Registro 715

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A visão dos cegos

por Lerparaver

FUTURO Ciência
A visão dos cegos

Diferenças na utilização do cérebro, observadas entre leitores de Braille, trazem nova luz ao estudo do processamento mental da linguagem.

Texto de Alda Rocha

Quando lemos palavras como Sol ou estrela, que imagem mental associamos a estes sons e a estes significados? Depende um pouco da forma como os construímos mentalmente, mas não há dúvida de que sempre que lemos estas palavras, o nosso cérebro vai ao «sítio» das imagens para localizar as que lhes correspondem.

E quando o leitor é cego? A expectativa é que as áreas do cérebro envolvidas na leitura sejam diferentes, no entanto, para surpresa dos investigadores, os cegos congénitos, quando estão a ler Braille, usam as mesmas áreas «visuais» do cérebro que as outras pessoas que perderam a visão em diferentes fases da vida - e que por isso dispõem de memórias visuais que podem ser associadas ao uso de muitas palavras -, mas fazem-no de forma diferente.

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