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Comentários efectuados por Manfas Petrónio

  • Manfas Petrónio comentou a entrada "Comunicação - As acessibilidades aos edifícios públicos vistas pelos olhos dos cegos" à 11 anos 4 Semanas atrás

    Quero regozijar-me e felicitá-lo pela sua comunicação que está cheia de boas ideias e que me parecem de acordo com uma filosofia realista que preconiza uma aplicabililidade universal capaz realmente de contribuir para a integração social pela promoção da independência individual e contra a solução específica tendencialmente segregadora da pessoa diferente.
    Resta esperar que sejam consideradas por quem de direito para então vê-las concretizadas na prática. Para isso, de facto, deveríamos poder contar com a intervenção activa de autoridades institucionais tidas como representantes e defensoras dos interesses do cidadão deficiente visual, para que todas as suas asserções deixem um dia de pertencer ao domínio teórico ou fantástico onde navegam hoje as defraldadas aspirações de quantos depositam ainda alguma esperança nas entidades oficialmente aclamadas como representantes dos seus interesses.

  • Manfas Petrónio comentou a entrada "Invisuais queixam-se da TVI e SIC" à 11 anos 1 mês atrás

    Acho espantoso não haver ainda muitas achegas a um assunto que tanta importância tem na vida também de deficientes visuais: o acesso à informação, formação e entretenimento. De facto, é a televisão, por excelência, o meio de comunicação social que mais completamente veicula estes ingredientes, aos quais o cidadão cego deveria ter acesso livre. Alega-se, que são motivos técnicos e orçamentais os que mais decisivamente influem no retardamento das soluções e, enfim, as pessoas sossegam... até porque há agora e cada vez mais, necessidades mais prementes. Por outro lado, a solução técnica e económica que a televisão pública engendrou para ficarmos com a ilusão de que já tínhamos audiodescrição foi transmitir em onda média da rádio a descrição de imagens veiculadas pelo canal de televisão. Com desculpa da palavra, só posso chamar a isto fraude. É fraudulento obrigar alguém a procurar na onda média, de resolução sofrível e audibilidade muitas vezes impossível, qualquer conteúdo de televisão.
    A audiodescrição televisiva que em Portugal mereceu esse nome foi a que a TVCabo apresentou por algum tempo através de alguns seus canais de filmes. Porém, a solução "botão verde" não é nada inclusiva, porquanto a navegação nos menus da televisão digital pressupõe leitura visual, o que obrigaria um telesptectador cego a recorrer a qualquer outro software auxiliar para a leitura de ecrã. Ora, como todos sabemos, uma solução do tipo guia vocal, em Portugal, ainda não foi sequer experimentada.
    Sabe-se, no entanto, que mesmo o sistema analógico de televisão já conta com um dispositivo expedito e barato para disponibilizar um canal dedicado para som alternativo designado por SAP (programa secundário de áudio). Portanto, nnão há justificativa para defraudar as pessoas com o truque da onda média na rádio, solução bem intencionada mas que ainda assim continua a excluir muita gente.
    Quanto ao aspecto sócio-político de tudo isto, penso que só colectivamente, ou seja, através das suas organizações representativas, poderão os cidadãos deficientes visuais fazer a sociedade e os poderes instituídos considerar seriamente a realização prática dos seus direitos legais.

  • Manfas Petrónio comentou a entrada "A floresta urbana" à 11 anos 1 mês atrás

    Caro cibernauta, aproveito esta mensagem para lhe agradecer a atenção ao meu comentário e para, já agora, lhe lembrar que muitos dos seus leitores só têm acesso ao que aqui escreve atrabés de software de voz, ou seja, um sistema que lê têbê quando você escreve "tb" no lugar de "também", por exemplo. Isto pode acarretar, se o utilizador não programou o software para pronunciar uma palavra correspondente à respectiva abreviatura, como compreenderá, alguma dificuldade na apreensão imediata das palavras que grafar de forma abreviada.
    Quanto ao assunto em epígrafe, resta-me sublinhar que a minha revolta concentra-se toda num problema de mentalidade que aprisiona o povo português numa pequenez mesquinha, numa falta de respeito cívico pelos outros que lhe resulta, invariavelmente, ora da ignorância, ora da ganância, ou então das duas misérias morais que, associadas, resultam em tão grande prejuízo para os cidadãos que se debatem com maiores limitações na sua mobilidade urbana.
    Mas eu continuo a considerar muito mais construtivo um debate à volta de um urbanismo, digamos, inclusivo, não necessariamente por causa dos "cidadãos diferentes", antes porque as barreiras que existem, mais ainda as piores delas - as mentais -, são o vergonhoso testemunho do nosso atraso como povo, são a prova cabal de que ainda não planeamos a vida social com o apuro civilizado de quem conta com a participação de todos para a construção dum país onde todos tenham direito a viver melhor.
    São realidades como estes que me obrigam agora, por exemplo, a dirigir uma carta às autoridades municipais da cidade onde quotidianamente transito com o fim de reclamar contra a utilização abusiva, talvez ilegal, de um passeio por uma esplanada de café. Na verdade, faço-o porque este atentado à integridade física do peão obrigado a circular na estrada, assume o aspecto de um negócio em que ganha a entidade que licenceou a ocupação do passeio com cadeiras e mesas e ganha o proprietário que reserva para os seus clientes um espaço público que deveria ser de todos. Aqui tendes vós o espectáculo bárbaro da selva urbana em que quem perde, afinal, são os do costume, os tão lamentados deficientes.
    Um abraço do cego mau e desculpem qualquer coisinha!