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Comentários efectuados por ldias

  • ldias comentou a entrada "Nota de Falecimento" à 10 anos 3 meses atrás

    Olá Francisco

    Desculpe a troca do seu nome, devo ter feito alguma confusão. Espero que me não tenha levado a mal.

    Sim, certas vezes também fico perturbada com o que "vejo" pois fico confusa e vacilante. O pior é quando estamos em ambientes sociais. Já me aconteceu ter a sensação de que via um obstáculo á minha frente e deslocar-me para o evitar. Claro que as outras pessoas olharam com estranheza, que teria eu? É preciso ter algum auto-controlo para lidar com estas situações embaraçosas. Os anos ajudam a ganhar calo e calma....

    LDias

  • ldias comentou a entrada "Nota de Falecimento" à 10 anos 3 meses atrás

    Olá Eduardo

    Primeiro gostaria de lhe manifestar os meus sentimentos pela perda do seu familiar.

    A morte é sempre um acontecimento lamentável mesmo que inevitável. Não a podemos recusar, tão pouco somos capacitados para a aceitar. Somos forçados a receber esse fenómeno como algo natural em nossas vidas. Cada um tem de desencadear estratégias de conformismo e resignação para evitar sofrimento e desespero.

    Quanto á relação entre cegueira e morte, pela escuridão, não me parece muito correcta. Antes, a dôr, a angústia, a saudade, o inconformismo, a revolta, a alienação, e todos os sentimentos provenientes de uma perda, esses sim, podem ser cumuns e colocar a morte e a cegueira em patamares passíveis de relacionamento.

    Perder alguém que nos é querido provoca sentimentos negativos, tal como perder uma capacidade física como a visão, no caso.

    Tal como a morte nos rouba a normalidade e a estabilidade emocional, também a perda da visão representa uma roptura na cadência habitual da nossa vivência. Como lidar com isso? Todas as perdas obrigam a uma paragem, a uma reflexão e auma mudança.

    Ocorre que nem todos reagimos bem, e depressa, a fim de ultrapassar esse período problemático. Uns, mais do que os outros, todos precisamos do nosso tempo para acimilar os factos e dirigir a nossa atitude. Outros há que não conseguem mesmo chegar a reagir positivamente á perda sofrida.

    Quanto á última questão: Como é "ver" ou "Não ver", penso que não é igual em cada um de nós. Tal como a Ciência explica a "Visão", e tudo o que a pode comprometer: doenças congénitas ou adquiridas, ambientes favoráveis ou desfavoráveis, consumo de substâncias , etc., também a Psicologia pode explicar a "visão" sem o seu Sentido Físico em pleno funcionamento.

    De facto, as pessoas Vêem diferentemente pois umas são portadoras de doenças, ou sofreram acidentes, ou ainda, estão em ambientes mais ou menos favoráveis á visão, lugares escuros, com muito sol, a distâncias maiores, etc.

    Mas quando as pessoas não possuem o sentido da visão, como é não ver? O que se vê? Penso que também nnão vemos todos o mesmo.

    Cada um de nós teve uma experiência visual diferente, a origem do dano na Visão também não é o mesmo, e ainda que seja não o é igualmente vivido por cada um dos nossos organismos. Como sabemos, o nosso organismo reage diferentemente aos vários estímulos que o assaltam. A memória visual que guardamos no nosso subconsciente vai remeter informações ao nosso cérebro e as imagens surgem como visões.

    A memória.... as lembranças.... essas estão vivas, bem á frente dos nossos olhos.... parecem reais , são como os sonhos, têm vida e côr. Se eu não possuísse o sentido da audição, certamente também teriam som...

    Eu não vejo escuro. Vejo luz permanentemente. Por vezes vejo côres definidas, intermitentes e em movimento. Certas vezes vejo tanta claridade que não consigo dormir. Outras vezes fica tudo tão escuro que tenho medo de andar e ir contra as paredes, chego mesmo a colocar as mãos á frente do corpo para ver onde estou....

    São visões, alucinações, imagens fantasma que me acompanham sempre. São fruto da minha experiência visual, são os fantasmas que habitam o sotão da minha memória. Ainda bem que eles lá estão, pelo menos não perdi tudo.... posso ao menos recordar...

    Ldias

  • ldias comentou a entrada "o amor impossível " à 10 anos 3 meses atrás

    Olá Leonardo

    Não concordo com a sua opinião, aliás, este tema foi calorosamente debatido no Blog da Sofia Santos, mais propriamente no link "Namoro entre cegos, e entre um cego e um normovisual: quais as diferenças?", o qual recomendo que leia.

    Quanto ao seu conselho, não me parece um conselho a ter em conta pois creio que o sentimento que o motiva não surge de umaverdade absoluta, baseada no rigor da experiência. Surge antes de uma experiência frustrada, de um desejo contrariado, de um dissabor.

    Creia que a vida tem muito para nos oferecer, se a enfrentarmos por várias perspectivas. Ocorre que a falta de atitude, a falta de auto-confiança e a crença em valores vestidos ás avessas, impedem-nos de olhar a vida com outros olhos. Permita que lhe dê um contra conselho: Mude de estratégia, analise o que poderá estar errado e actue, poderá ser que outras portas se abram.

    P.S.: Sou cega total, casada com um normovisual, tomo conta da minha casa e da minha filha, sem empregada, e com competência. Estou empregada e sou muito asseada....

    LDias

  • ldias comentou a entrada "Matemáticos Cegos: Você conhece algum?" à 10 anos 4 meses atrás

    Caro Francisco Lima

    Primeiramente, respondo á pergunta: Sim, conheço um cego Português, Paulo Coelho, que está licenciado em matemáticas, não sei qual o curso, pela Universidade Nova de Lisboa, se não estou em erro.

    Não sei se pratica, se a sua profissão está directamente relacionada com o curso, certo é que o frequentou e terminou com êxito.

    Em segundo, comento a sua opinião dizendo que concordo consigo. Cada um de nós tem capacidades e limitações; uns mais oportunidades que outros; alguns têm força de vontade mas outros não; e muitos não possuem apoios financeiros, familiares, etc. Qualquer uma dessas situações podem determinar o nosso futuro: ser isto ou aquilo pode depender de muitos factores, não apenas de uma condição física.

    Abraço, LDias

  • ldias comentou a entrada "Namoro entre cegos e entre um cego e um normovisual: Quais as diferenças?" à 10 anos 6 meses atrás

    Olá Mariana

    Comprendeu exactamente o que aqui testemunhei, talvez por viver uma realidade próxima á minha.

    Espero que eu venha um dia ater o prazer de escutar da minha filha as bonitas palavras de reconhecimento que a Mariana aqui escreveu.

    Qualquer mãe ficaria grata por ver que o seu empenho foi bem aplicado. E não duvide, Mariana, que não é fácil também para nós, mães, escutar tais comentários e descodificá-los de forma a serem compreendidos por crianças inocentes, para quem a sua realidade nada tem de estranho mas que, aos olhos dos outros, se lhes apresenta esquisita.

    O esforço tem de ser ainda maior para transmitir á criança uma realidade saudável, sem camuflar as diferenças, sem negar as dificuldades, mas antes tentando ultrapassar as barreiras com transparência, verdade e realismo.

    Também eu não consigo ler os livros que a minha filha me solicita. Essa tarefa eu reservo ao pai, mas em contrapartida sou eu que lhe conto as histórias mais fascinantes que jamais alguém ouviu, dando-lhe o previlégio de ser ela a escolher os protagonistas mais inacreditáveis.... Também sou eu que curo as suas feridas, que brinco as brincadeiras mais divertidas e que faço os penteados mais bonitos.

    E o pai, como todos os pais, é o seu pai adorado, que anda de bicicleta, ajuda nos deveres escolares e e ajuda nas tarefas que a mãe não consegue ou não pode por qualquer motivo.

    Assim somos uma família, feliz, com os nossos problemas, como tantas outras.

    não é tudo maravilha, claro que não, não somos heróis nem heroínas, somos pessoas que apesar da vontade de acertar, por vezes também erramos.

    Que Deus nos abençoe para que a nossa caminhada seja coroada de bons resultados.

    LDias

  • ldias comentou a entrada "Namoro entre cegos e entre um cego e um normovisual: Quais as diferenças?" à 10 anos 6 meses atrás

    Cara Anónima

    Não me ofendeu, não carece de desculpas. Não tomei o seu comentário como uma ofensa pessoal mas antes como uma opinião, a qual me sentiimpelida a comentar com outra opinião. A sua opinião, baseada na sua experiência pessoal, é tão válida quanto a minha, também ela baseada na minha experiência pessoal.

    Isto que aqui estamos a fazer é debate e não ataque. Todas as opiniões são dignas de respeito, a minha, a sua e a de todos os que assim desejarem manifestar também a sua.

    Amizade, LDias

  • ldias comentou a entrada "Namoro entre cegos e entre um cego e um normovisual: Quais as diferenças?" à 10 anos 6 meses atrás

    Caro Anónimo,

    Não sei de onde retirou tais conclusões, mas permita que discorde, se não totalmente, em grande parte do que afirma.

    Sou casada há 13 anos com um homem normovisual, de quem tenho uma filha, e possuo deficiência visual.

    Quando casei ainda possuía visão suficiente para elaborar tarefas em que a visão é principal orientadora. Com a perda progressiva e total da visão, facto ocorrido após o nascimento da nossa filha, o sentido auxiliador foi substituído pelos outros. As tarefas continuaram a ser desempenhadas....

    Tem razão quando diz que os cegos não se devem deixar acomodar ao apendice da visão do parceiro, com risco de contrairem dependência. Já tinha manifestado esta ideia em outro comentário. Qualquer pessoa que se acomode, aproveite, use, seja de que modo fôr, da boa vontade dos outros, corre o risco de se transformar num fardo. Mas daí a tomar isso como dado adquirido...., não.

    Haverá, certamente, pessoas que incorrem nesse erro mas não todas. Numa relação de desigualdade visual não é necessariamente assim. Eu faço testemunho contrário para bom exemplo dos demais.

    O meu marido deposita total confiança nas minhas capacidades domésticas. Confia-me os cuidados com a nossa menina, desde que esta é bebé. Afirma que o faço com toda a competência; Adora os meus cozinhados, elogia-os e solicita que lhe prepare aqueles manjares que só eu lhe sei presentiar; Delega em mim toda a confiança para cuidar da limpeza da casa e da roupa, ajudando por partilha e não por desconfiança, (e bem tenta escapar, bem á maneira masculina, na cumplicidade do sofá e da t.v, que lhe prestam solidariedade com notícias imperdíveis); Solicita-me ajuda para escolher as suas ropas confiando no meu bom gosto e selecção de qualidade.

    O meu marido ajuda em casa, por partilha de tarefas, para facilitar o nosso dia-a-dia, tal como impõe a vida agitada que hoje temos. Por meu lado, não tenho empregada a dias, faço tudo em casa, desde a arrumação, limpeza, colinária, jardinagem, educação e ocupação dos tempos livres da nossa filha. nada deixei de fazer por falta de um sentido, sou até, segundo ele, demasiado perfeccionista.

    Nunca preciso de ajuda? Sim, claro. Tarefas há que carecem da ajuda da visão certamente: limpar manchas de sujidade em paredes, pintar paredes desgastadas pelo tempo, matar algum insecto indesejável, reparar algum aparelho electrico, ler os livrinhos de histórias ou escolares da menina, verificar sinais de doença apenas visíveis na pele ou nos olhos da criança, colocar a quantidade certa de um medicamento que careça de dosagem, e outras tarefas que particularmente não me sinto capaz de fazer, ou não gosto ou carece de força física suplementar.

    Tudo isso, e outras que possam ocorrer, são situações pontuais, que não refletem dependência, incompetência ou comodismo. Em qualquer casal, as capacidades e incapacidades são rentabilizadas, elaborando cada um o que melhor é capaz de desempenhar.

    Isto falando, é claro, de casais cegos ou não, mas que se respeitam e amam, pois de contrário, o fracasso da relação é dado possível, senão adquirido.

    LDias

  • ldias comentou a entrada "Namoro entre cegos e entre um cego e um normovisual: Quais as diferenças?" à 10 anos 6 meses atrás

    Caro Luís Medina,

    As suas palavras poeticamente lançadas num discurso inteligente, mesmo ao seu estilo, são acertivas e não deixam nada mais a acrescentar.

    LDias

  • ldias comentou a entrada "Namoro entre cegos e entre um cego e um normovisual: Quais as diferenças?" à 10 anos 6 meses atrás

    Caro Hulk

    Não sou dotada da perfeição linguística e de eloquência do meu admirável Luís Medina, com quem partilho palavra a palavra da sua opinião, mas também tenho uma história que nega integralmente aquilo que aqui afirma.

    Eu sempre namorei com jovens normovisuais e casei com um deles. O meu marido é um homem bonito, licenciado, com uma profissão de respeito, inteligente, simpático e com uma vida social activa.

    Pois, como diz Luís Medina, o que viu ele em mim? De certo não se enamorou de uma rapariga fraca, mesquinha, dependente ou carente. Também não procurou uma mulher qualquer, cheia de dinheiro, que o sustentasse, já que dinheiro para tal eu não tinha.

    Eu era jovem, em fase de perda de visão, bonita, perdoe-me a falta de modéstia e cheia de garra. Não queria perder a oportunidade de viver, ainda que uma vida cheia de dificuldades. Queria ser tudo o que conseguisse, o que tinha direito: criança, jovem, mulher, mãe, trabalhadora, dona de casa, esposa. Para tal era preciso empenho, ir á luta, em busca dos sonhos, que com alento se tornaram realidade.

    Nunca me resignei ao meu malfadado destino. Contrariei essa condição de dependência, inutilidade e digna da piedade daqueles que se consideram imunes e se mantêm distantes.
    E foi isso que o meu marido viu em mim, força, coragem poder. Pois eu tinha força para suportar as adversidades, coragem para travar as batalhas aparentemente perdidas e poder, poder para inverter o rumo do meu destino. Poder para decidir, para aceitar, para recusar, para mudar, para encantar. Poder para querer e com isso conseguir...

    Os namorados que tive, antes de casar, assim como os admiradores,quando já casada, e depois de assumidamente deficiente, foram alguns. Casei com aquele que era o meu destinado, independentemente das nossas diferenças físicas. O que nos unia era muito superior.

    O meu caso não é único, nem fruto da imaginação, e muito menos saído de um capítulo de conto de fadas. Como vê, outros casos já aqui foram relatados e muitos outros eu faço testemunho. Certa altura da minha vida conheci um indivíduo, cego de nascença, alegre e inteligente. Não era fisicamente bonito, se é que a beleza pode ser discutida, mas irradiáva um não sei quê de magia interior. Todo ele era sedução e feitiço.... Conheci várias das suas namoradas, muitas tinha, todas lindas, estudadas e normovisuais....

    Auto-estima e auto-confiança

    O importante é o respeito por nós mesmos, ir ao encontro da vida, ela não vem só por si....

    LDias
    .

  • ldias comentou a entrada "Namoro entre cegos e entre um cego e um normovisual: Quais as diferenças?" à 10 anos 6 meses atrás

    Ana:

    Neste mundo competitivo, selvagem e descrente, vivemos numa sociedade demasiadamente desligada dos valores essenciais ao progresso da humanidade. Quando os "enviados de Deus" se manifestam, seja por acções especiais que cometem em prol dos seus semelhantes, seja por subjogados ao desmando da falta de escrúpulos, seja pela dôr de uma doença ou deficiência, os demais seus semelhantes preferem ignorar, desviar o olhar, lamentar mas com a distância necessária para não ser incomodado.

    Sim, porque acredito que todos aqueles que sofrem são "enviados de Deus" que desviam a cortina, mostram o caminho, revelam a luz que está para lá da neblina. A sua missão, carregada de dôr e sofrimento, é uma só: revelar a essência da vida.

    Mortais, cegos de espírito, somos ignorantes, surdos de alma. não reconhecemos na esmola de um pobre, a partilha; não compreendemos na dôr dos aflitos, a compaixão; não entendemos nas lágrimas do oprimido, a entreajuda , não respondemos ao cego com a voz da solidariedade e gritamos ao surdo com a esteria dos importunados...

    E caminhamos assim, por séculos de história, cheios de tudo, que é nada, pois somos nada: nascemos nus e a morte é nossa por certeza....

    Alguns de nós, por rasgos de lucidez, conseguem alcançar raios dessa luz suprema e reparadora. Ainda há esperança.... pois esses "enviados de Deus" lá vão conseguindo rasgar o véu que enturpece as mentes eos corações, embora lenta e esforçadamente.

    Que os "anjos na terra" não desfaleçam as asas, que os "enviados de Deus se alentem.... que esta missão nos alveje e nos converta ao amor, para salvação do mundo....

    Desculpe esta minha dramática dicertação, quase em tom de oração biática, mas nada mais é que um desabafo revelador do desalento que nutro pela actual condição humana: insensível, egoísta, materialista e fraca. Apesar de invocar o "amor", sei que este está despojado, ignorado e enturpecido pela ilusão do desejo e da vontade.
    Quero ter esperança, até porque ainda me restam exemplares desse "artigo" raro para não me desanimar de vez.

    Coragem, abraços

    LDias

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