Está aqui

Adaptação de embalagens a pessoas com deficiência visual

por Angela Janning
Forums:

Bom dia meu nome é Angela, sou aluda da UNIVILLE universidade de Joinville, Santa Catarina.

estou interessada em fazer um projeto de pesquisa para adaptação de rótulos dos produtos de supermercados a pessoas que não vêem.

sei que existe o método Braile porem queria desenvolver algo que envolvesse cheiros e símbolos em relevo. Para identificação mais rápida e objetiva.

por favor o que vocês acham disso? seria interessante? seria algo realmente útil para o pessoal que vai ao mercado?

Olá Angela

O homem sonha, a obra nasce. Realmente é interessante a sua ideia, mas antes de partir para uma investigação mais a sério, convém que reflicta sobre algumas questões:

1. Faz sentido desenvolver um rótulo com cheiro, quando cada produto já tem o seu próprio cheiro?

2. Será que o desenvolvimento de uma nova simbologia não vai confundir ainda mais processo de identificação dos produtos?

3. O que realmente é que uma pessoa cega procura num rótulo?

4. Esse sistema poderá ser mais eficaz e prático do que o Braille?

Posso dizer-lhe que por experiência própria, pois sou cego, adoraria ter acesso em braille a tudo o que está escrito na embalagem, mas como o espaço não comporta tudo, o rótulo apenas se pode restringir ao mais importante e, para mim, o mais importante é: a marca do produto, a definição do produto e a data de validade.

Sugiro-lhe ainda, e partindo do princípio que no seu curso não abordou, nem tem conhecimento voluntário deste tema, que leia a evolução da escrita Braille e dos códigos antecedentes para melhor perceber a dificuldade de implementação de novos métodos de leitura.

Não quero com isto desmotivála, mas temos que ser realistas.

Cumprimentos
NSousa

Olá, Norberto!
Estava lendo seu comentário e achei bem interessante, visto que após fazer uma pós em marketing e comunicação, resolvi fazer o meu trabalho de conclusão de curso voltado a vocês! Fico pensando em coisas como: como vocês escolhem um produto, uma marca? vocês se sentem incluídos nas propagandas, televisivas e dos rádios? Compram muito pela internet ou preferem ir às lojas, ter contato com o produto? Ficaria muito grata caso você pudesse me ajudar! Vejo que nos supermercados poucos produtos apresentam a escrita em braile nos rótulos!

olá Fernanda,

Já reparei que tem pesquisado bastante no Portal. Antes de responer às suas perguntas sugiro mais uns termos de pesquisa:
Boné sensores;
Solid step;
Lei 33/2008
compras supermercados.

Penso que a leitura dos resultados dessas pesquisas esclarecerá um pouco mais sobre a questão da compra presencial em supermercados.

Relativamente aos rótulos em Braille, infelizmente a lei 33/2008 teve uma grande falha logo à nascença, pois a rotulagem deveria ser feita na origem e não nos distribuidores. Deste modo evitar-se-iam erros no braille das etiquetas, desuniformização da forma de etiquetar, ou até perda das etiquetas durante o transporte. Pormenores apenas, mas é normalíssimo não pensarmos neles antes de publicar as leis portuguesas...

Quanto à influência da publicidade na escolha da marca ou produto, parece-me um erro pensarmos que uma pessoa só por ser cega terá uma forma diferente de escolher um produto ou reagir à publicidade. Tal como qualquer pessoa normovisual, cada pessoa cega tem a sua maneira de ser, tem o seu modo de pensar e, consequentemente, interessa-se ou não por publicidade. Da mesma forma que pessoas cegas podem destestar ver filmes outras podem adorar ver filmes e ter imenso conhecimento sobre esse tema. No entanto, não me parece que os responsáveis de marketing ou mesmo as próprias empresas se preocupem se as pessoas cegas percebem ou não a sua publicidade. De outro modo não se assistiria a tanta publicidade só com imagem ou a tanta inacessibilidade de sites. As empresas ainda não perceberam que cada vez mais existem pessoas cegas a viverem sozinhas e que essas pessoas têm o seu trabalho e, portanto, são tão consumidores, quanto as pessoas normovisuais. As empresas também ainda não perceberam que esse nicho de mercado, que em Portugal não deve ultrapassar os duzentos mil, mas que no Brasil são alguns milhões, pode influenciar a escolha de muita gente.

No que se refere ao modo preferencial de compras, as compras pela Internet tem muitas mais vantagens do que as compras presenciais, desde que se conheça os produtos. Contudo, quando pretendo conhecer ou saber mais informações sobre um produto, desloco-me sempre à loja.

Espero ter ajudado,
Cumprimentos,
NSousa

Partilho da mesma opinião em relação ao facto de o produto dever estar identificado em Braille desde a origem. Nesse aspecto, há uma marca branca comercializada por uma grande superfície que, numa boa parte dos produtos, comtém a denominação do mesmo. Não é mau, mas não chega. Ficam a faltar uma série de pormenores que interessariam ao consumidor. Mas além dos erros de escrita na etiquetagem, o mais grave, porém, rediculamente divertido, é colocarem-se etiquetas de uma coisa num outro produto. Já me acomteceu ser colocada uma etiqueta de pasta dos dentes numa lata de atum! Mas não foi só esse caso, mas enfim... Ora, ora, etiquetas que mais parecem um favorzinho, não é preciso, obrigada.

As compras on-line são uma boa alternativa, mas não dão o prazer de ir dar uma voltinha ao supermercado, de sentir as coisas na mão, os cheiros, de saber as novidades, etc. Porém, isso é agradável se houver a possibilidade de fazer isso com amigos, o que, em última análise, constituí uma ínfima vertente da socialização das pessoas como um todo.

Bom dia Norberto,
Gostaria de saber se há possibilidades de trocarmos e-mail, pelo que li aqui no fórum o senhor iria me ajudar bastante. Estou desenvolvendo um projeto de etiquetas para roupas, com revelos e texturas. Mas preciso de informações que só um deficiente visual com tamanha percepção de realidade como você poderia me passar. Meu e-mail é jessicalessantos@gmail.com aguardo retorno! Forte abraço.

Olá,

Jéssica, já respondi em privado. Relembro que os utilizadores registados têm a possibilidade de contactar entre si por mail.

O meu comentário em resposta à Fernanda realmente parece os provérbios da antiguidade... continua a aplicar-se! Vale a pena lê-lo antes de partir para a implementação de um projeto.
Contudo, Nos últimos anos têm surgido vários produtos, estudos e ideias de desenvolvimento que, juntamente com a evolução das tecnologias, faz com que cada vez mais seja necessário fazer uma investigação e pesquisa exaustiva para tentar desenvolver soluções cada vez melhores e mais abrangentes e inclusivas. Fico feliz por ver tanto interesse em desenvolver produtos para a deficiência visual, mas ao mesmo tempo muito desapontado com a quantidade de soluções tão descabidas e sem qualquer aplicação prática.
Aproveito para relembrar alguns comentários que fiz a alguns projetos menos conseguidos, como também algumas soluções simples mas eficazes.
Cabide Visão, comentário:
http://www.lerparaver.com/lpv/cabide-visao-mais-autonomia-pessoas-defici...

Código cores daltónicos, simples e prático:
http://www.lerparaver.com/noticias/codigo-ajuda-daltonicos-decifrar-cores

Dispositivo de localização, gostei muito:
http://www.lerparaver.com/noticias/aplicativo-arianna-ajuda-deficientes-...

Braille nas etiquetas da roupa, infelizmente ainda não vi nenhuma marca colocar no mercado:
http://www.lerparaver.com/lpv/dar-cor-ao-mundo-cegos

Reconhecimento de cor:
http://www.lerparaver.com/lpv/aparelho-promete-mudar-vida-deficientes-vi...

E há muito mais publicado no portal e por aí...

Cumprimentos acessíveis,
NSousa

Sr. Norberto,

Também decidi fazer meu trabalho de conclusão de Curso de Graduação sobre deficientes visuais, e gostaria muito de conversar mais contigo à respeito.

Poderia me encaminhar um e-mail no gabrielacdecarvalho@hotmail.com

Desde já agradeço!!!

boa tarde, gostaria de expressar a minha opinião sobre este assunto:
para quem tem o costume de ir sozinho fazer compras ao super mercado, aconselho a pedir aquilo que se chama de apoio personalisado, ou o acompanhamento de um funcionário de forma a ajudar nas compras, visto que nem todos os produtos disponíveis no super mercado, sejam eles quais forem, estáo devidamente etiquetados, e muitos dels nem sequer estão etiquetados, a não ser que a pessoa cega seja muito esperiente em identificar o produto pelo tacto ou até mesmo pelo cheiro.
para quem faz compras online como eu já fiz, tem mais vantagens, podendo procurar por marcas, nomes definir o preço que quer gastar em tudo o que compre, e sobre tudo tem acesso há descrição exacta de cada produto, seja ele qual for, e quem fala em super mercado, fala em telepizza, worten, fnac continente ou outra coisa qualquer. certo ou errado?
cumprimentos e não exitem em responder.